
Cristi investiga Victor por tráfico de drogas, mas conclui que se trata de mero usuário. Embora hesite em prendê-lo, o chefe de polícia insiste no flagrante.
Politist, Adjectiv tem estrutura simples e cristalina. De um lado, Cristi segue Victor e seus amigos, vigia-os, colhe provas e cruza informações com os serviços de inteligência da polícia. De outro, trava longos diálogos – verdadeiros duelos verbais, bem ao gosto de Porumboiu (como em À Leste de Bucareste), em que se interpretam o significado mesmo das palavras – com a mulher, companheiros de profissão e superiores, que evidenciam o conflito entre a Lei e a ética pessoal que aflige o herói.
A Lei, que exige de Cristi o flagrante, e a consciência, que o impedem de realizá-lo. A Lei, que o força a investigar, e a consciência, que o leva a não prender jovem por três anos e meio somente pelo uso de drogas. Por que se estender por mais duas semanas, aguardar que o irmão de Victor retorne, , suspeitar do informante, se basta o flagrante? Cristi, como revela o diálogo com a esposa sobre Mirabela Dauer, não compreende metáforas ou sutilezas, mas percebe apenas o sentido literal e direto do que lhe acontece.
Cristi escolhe a Lei, e aceita o flagrante. Na sequência que encerra Politist, Adjectiv, o chefe de polícia recorre ao dicionário (que fornece apenas o significado denotativo das palavras e, assim, encontra-se viciado de antemão) para esclarecer as dúvidas do herói. Lei, ética, moral, consciência – verbetes que deságuam em outros e nada explicam, em fugas sem fim. Na última oportunidade, entretanto, a ideologia por trás dos sentidos se clarifica: polícia, adjetivo que se refere ao aparelho repressor do Estado e se origina do alemão “polizei”, embora o delegado insista, como estratégia de despiste, que deriva do grego “polis” e “politéia” e do latim “politia” (ou seja, “governo” e “política”, respectivamente).
A polícia, simples agente da repressão, mata a consciência que lhe dificulta o trabalho.
Assista ao trailer de Politist, Adjectiv:

Politist, Adjectiv, de Corneliu Porumboiu, 2009.

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