Revista Moviola – Revista de cinema e artes » Hotel Atlântico

Hotel Atlântico


Por

Publicado em 5 de Outubro de 2009

hotelatlantico_festivaldorio

Adaptação idílica do livro do escritor gaúcho João Gilberto Noll, o filme Hotel Atlântico, é uma das produções brasileiras mais bonitas do Festival do Rio. Com nome homônimo ao da obra e dirigido por Suzana Amaral, o road movie nos leva do Sudeste ao Sul. Apesar de suprimir algumas cenas do livro, ela imprime um forte viés existencialista ao seu terceiro longa.

O personagem central é um ator desempregado, interpretado por Júlio Andrade (também gaúcho), que despontou no meio cinematográfico depois de participar de outra adaptação literária para as telas, Cão sem dono, de Beto Brant, baseado em Até o dia em que o cão morreu, de outro escritor gaúcho, Daniel Galera. A linha e o contraste entre a interpretação dos dois personagens é tênue. É como se Júlio carregasse a mesma densidade e características do protagonista do filme de Brant apesar do universo literário de Noll e de Galera serem distintos.

Nesse filme, a vida simples parece deixar o cotidiano extraordinário. O ator busca alguma emoção na sua viagem sem roteiro, sem planos para o futuro e sem pressa. Sua preocupação não é a de se encontrar, ele quer apenas olhar outros lugares e se entregar ao presente. Não há vestígios do passado. O ator, sem nome, entra e sai da vida das pessoas com as quais esbarra. No ônibus para Florianópolis, inicia uma amizade com uma polonesa deprimida e que comete suicídio no meio da viagem. A morte acompanha o protagonista. No Sul, tentam matá-lo. Depois de se safar, chega num vilarejo onde fica um par de dias e, no seu primeiro passeio, presencia uma senhora morrer.

O protagonista parece mergulhar num sonho para não lembrar onde está. A polonesa diz para ele: “Esquecer pode ser um motivo para viajar”.Talvez sonhe acordado com paisagens diferentes, mulheres que desejará e a possibilidade de andar livre.  Antes de saber se tudo não passou de um sonho, a certeza que temos é que assim como A Hora da Estrela (1985), primeiro longa de Suzana, ficou na memória, Hotel Atlântico também permanecerá.

Trailer:

YouTube Preview Image

Hotel Atlântico, de Suzana Amaral, 2009.

Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2009.

: : Compartilhe

    

    3 Commentários sobre 'Hotel Atlântico'

    1.  
      fernando zampieri

      15 Novembro, 2009| 9:16 pm


       

      ficou legal o comentário do filme. é emopcionante saber que agora as duas histórias que, com ctz, eu vou lembrar pro resto da vida já tem adaptação pros cinemas: a germânica História sem Fim e a gaúcha Hotel ATlantico.

    2.  
      Thadeu

      25 Novembro, 2009| 3:47 pm


       

      Notasse uma coisa que me escapou: a frase da polonesa sobre esquecer o passado. Trás muita claridade para o entendimento da obra;

      em outro momento citaste que presenciara um assassinato em Copacabana, porém acho que não se diz nada sobre iusto, na verdade Hotel Atlantico é em Santos, e tb foram as filmagens.
      Abraço

    3.  
      Elis Galvão

      25 Novembro, 2009| 9:07 pm


       

      Thadeu,
      obrigada pela observação.
      Abraço.

    Deixe um comentário

    (obrigatório)

    (obrigatório)


    Dê a sua opinião. Mas lembre-se: os comentários serão moderados. Apenas após análise dos editores eles serão postados.



    RSS feed para comentários deste artigo | TrackBack URL

     

    Por Paulo Ricardo de Almeida

    26 de Outubro de 2011

    Políssia, França, 2011, de Maïwenn Maïwenn acompanha o dia-a-dia da unidade policial que combate os crimes sexuais contra crianças. A câmera, sempre instável e contingente, flagra momentos breves, que revelam menos as investigações em si e mais as agruras psíquicas e emotivas que solapam as personagens em contato com a pedofilia. A narrativa de Políssia [...]

    Por Rodrigo Cazes

    20 de Outubro de 2011

    Caminho para o nada, Monte Hellman, EUA, 2011 O cinema é uma manifestação artística com imensa capacidade para reproduzir a realidade, graças a sua reprodução ótica a 24 quadros por segundo. Mas, ao mesmo tempo, também possui uma enorme natureza de ilusão, devida à sua natureza de cópia e, nos dias de hoje, às ilusões [...]

    Por Paulo Ricardo de Almeida

    19 de Outubro de 2011

    Drive, EUA, 2011, de Nicolas Winding Refn No clímax de Drive, Bernie e o herói se enfrentam na rua, à luz do dia, mas vemos apenas suas sombras. Para a Los Angeles “oficial”, de fato, eles não existem – são personagens marginais, que vivem nos subterrâneos da grande metrópole. O herói não tem nome. Quando [...]

    Por Luciane Quoos

    18 de Outubro de 2011

    Dublê do diabo, Bélgica/Holanda, 2011, Lee Tamahori Assistindo ao filme Dublê do diabo sem saber que era baseado no livro escrito por Latif Yahia, um oficial do exército iraquiano que foi obrigado a passar-se pelo inescrupuloso Uday Hussein, filho de Saddam Hussein, concluímos que é um bom filme de ação, com cenas eletrizantes, uma câmera [...]

    Por Paulo Ricardo de Almeida

    18 de Outubro de 2011

    O Moinho e a Cruz, Suécia e Polônia, 2011, Lech Majewski   O Moinho e a Cruz desvela as forças econômicas, sociais, políticas e até ecológicas que se articularam para a confecção do quadro “O Caminho do Calvário”, de Pieter Bruegel: o relacionamento do pintor com o banqueiro e mecenas flamengo Nicolaes Jonghelinck, a presença [...]

    Anima Mundi Animação animações Brasil Cachaça Cinema Clube Cannes CCBB Cineclube Cinema cinema brasileiro Cinema francês Curta Curta-metragem Curtas Debate Documentário Entrevista FBCU Festival Festival de Cannes Festival do Rio Festival do Rio 2009 Festival do Rio 2010 Festival do Rio 2011 festrio França Gay Iraque Juventude Literatura Memória Mix Brasil Morte Mostra Mostra de Tiradentes Música Odeon Oscar Poemas Poesia Rio de Janeiro Romênia Teatro Versos É Tudo Verdade

    WP Cumulus Flash tag cloud by Roy Tanck and Luke Morton requires Flash Player 9 or better.