
Adaptação idílica do livro do escritor gaúcho João Gilberto Noll, o filme Hotel Atlântico, é uma das produções brasileiras mais bonitas do Festival do Rio. Com nome homônimo ao da obra e dirigido por Suzana Amaral, o road movie nos leva do Sudeste ao Sul. Apesar de suprimir algumas cenas do livro, ela imprime um forte viés existencialista ao seu terceiro longa.
O personagem central é um ator desempregado, interpretado por Júlio Andrade (também gaúcho), que despontou no meio cinematográfico depois de participar de outra adaptação literária para as telas, Cão sem dono, de Beto Brant, baseado em Até o dia em que o cão morreu, de outro escritor gaúcho, Daniel Galera. A linha e o contraste entre a interpretação dos dois personagens é tênue. É como se Júlio carregasse a mesma densidade e características do protagonista do filme de Brant apesar do universo literário de Noll e de Galera serem distintos.
Nesse filme, a vida simples parece deixar o cotidiano extraordinário. O ator busca alguma emoção na sua viagem sem roteiro, sem planos para o futuro e sem pressa. Sua preocupação não é a de se encontrar, ele quer apenas olhar outros lugares e se entregar ao presente. Não há vestígios do passado. O ator, sem nome, entra e sai da vida das pessoas com as quais esbarra. No ônibus para Florianópolis, inicia uma amizade com uma polonesa deprimida e que comete suicídio no meio da viagem. A morte acompanha o protagonista. No Sul, tentam matá-lo. Depois de se safar, chega num vilarejo onde fica um par de dias e, no seu primeiro passeio, presencia uma senhora morrer.
O protagonista parece mergulhar num sonho para não lembrar onde está. A polonesa diz para ele: “Esquecer pode ser um motivo para viajar”.Talvez sonhe acordado com paisagens diferentes, mulheres que desejará e a possibilidade de andar livre. Antes de saber se tudo não passou de um sonho, a certeza que temos é que assim como A Hora da Estrela (1985), primeiro longa de Suzana, ficou na memória, Hotel Atlântico também permanecerá.
Trailer:
Hotel Atlântico, de Suzana Amaral, 2009.

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15 Novembro, 2009| 9:16 pm
ficou legal o comentário do filme. é emopcionante saber que agora as duas histórias que, com ctz, eu vou lembrar pro resto da vida já tem adaptação pros cinemas: a germânica História sem Fim e a gaúcha Hotel ATlantico.
25 Novembro, 2009| 3:47 pm
Notasse uma coisa que me escapou: a frase da polonesa sobre esquecer o passado. Trás muita claridade para o entendimento da obra;
em outro momento citaste que presenciara um assassinato em Copacabana, porém acho que não se diz nada sobre iusto, na verdade Hotel Atlantico é em Santos, e tb foram as filmagens.
Abraço
25 Novembro, 2009| 9:07 pm
Thadeu,
obrigada pela observação.
Abraço.