Revista Moviola – Revista de cinema e artes » Eu matei a minha mãe

Eu matei a minha mãe


Por

Publicado em 28 de Setembro de 2009

festival do rio - xavier dolan

Eu matei a minha mãe (J’ai tué ma Mère), é um filme longo demais, sem preocupação com a fotografia ou direção de arte. Mas chama atenção pelo fato do diretor canadense Xavier Dolan, aos 20 anos, ter escrito, dirigido, produzido, atuado como ator principal – ele interpreta o personagem Hubert Minel – e ter editado parte do filme.

O foco do longa é o drama existencialista do adolescente, que tem 16 anos e uma série de questões mal resolvidas com a mãe. Ele implica com o gosto kitsch dela, seus gestos e manias. A relação dos dois é paradoxal, amor e desprezo se mesclam e se alternam. Hubert, contudo, tem seu próprio mundo: o namorado Antonin, a amizade com a sua professora de artes e os vídeos que utiliza como uma espécie de suporte analítico para falar dos seus sentimentos e da mãe.

Uma das sequências que chama a atenção é quando a mãe de Antonin encontra a de Hubert e comenta que está feliz com o namoro de dois meses. A segunda, que até então não sabia de nada, não fica chateada por descobrir que o filho é gay, mas porque ele não contou para ela primeiro. O que nos faz refletir, pois, ainda não é comum observamos uma cena como essa no cotidiano familiar brasileiro.

Eu matei a minha mãe não é um grande filme, especialmente, porque os conflitos entre mães e filhos já foram explorados das mais variadas formas no cinema. O que se pode dizer é que a produção, com a assinatura do diretor em cinco categorias, é um trabalho que deve ser visto por estudantes de comunicação, de cinema e pelos que se interessam por uma das consagradas questões freudianas.

Trailer do filme:

YouTube Preview Image

Entrevista com Dolan no Festival de Cannes:

YouTube Preview Image

Eu matei a minha mãe, Xavier Dolan, 2009.

Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2009.

: : Compartilhe

    

    Deixe um comentário

    (obrigatório)

    (obrigatório)


    Dê a sua opinião. Mas lembre-se: os comentários serão moderados. Apenas após análise dos editores eles serão postados.



    RSS feed para comentários deste artigo | TrackBack URL

     

    Por Paulo Ricardo de Almeida

    26 de Outubro de 2011

    Políssia, França, 2011, de Maïwenn Maïwenn acompanha o dia-a-dia da unidade policial que combate os crimes sexuais contra crianças. A câmera, sempre instável e contingente, flagra momentos breves, que revelam menos as investigações em si e mais as agruras psíquicas e emotivas que solapam as personagens em contato com a pedofilia. A narrativa de Políssia [...]

    Por Rodrigo Cazes

    20 de Outubro de 2011

    Caminho para o nada, Monte Hellman, EUA, 2011 O cinema é uma manifestação artística com imensa capacidade para reproduzir a realidade, graças a sua reprodução ótica a 24 quadros por segundo. Mas, ao mesmo tempo, também possui uma enorme natureza de ilusão, devida à sua natureza de cópia e, nos dias de hoje, às ilusões [...]

    Por Paulo Ricardo de Almeida

    19 de Outubro de 2011

    Drive, EUA, 2011, de Nicolas Winding Refn No clímax de Drive, Bernie e o herói se enfrentam na rua, à luz do dia, mas vemos apenas suas sombras. Para a Los Angeles “oficial”, de fato, eles não existem – são personagens marginais, que vivem nos subterrâneos da grande metrópole. O herói não tem nome. Quando [...]

    Por Luciane Quoos

    18 de Outubro de 2011

    Dublê do diabo, Bélgica/Holanda, 2011, Lee Tamahori Assistindo ao filme Dublê do diabo sem saber que era baseado no livro escrito por Latif Yahia, um oficial do exército iraquiano que foi obrigado a passar-se pelo inescrupuloso Uday Hussein, filho de Saddam Hussein, concluímos que é um bom filme de ação, com cenas eletrizantes, uma câmera [...]

    Por Paulo Ricardo de Almeida

    18 de Outubro de 2011

    O Moinho e a Cruz, Suécia e Polônia, 2011, Lech Majewski   O Moinho e a Cruz desvela as forças econômicas, sociais, políticas e até ecológicas que se articularam para a confecção do quadro “O Caminho do Calvário”, de Pieter Bruegel: o relacionamento do pintor com o banqueiro e mecenas flamengo Nicolaes Jonghelinck, a presença [...]

    Anima Mundi Animação animações Brasil Cachaça Cinema Clube Cannes CCBB Cineclube Cinema cinema brasileiro Cinema francês Curta Curta-metragem Curtas Debate Documentário Entrevista FBCU Festival Festival de Cannes Festival do Rio Festival do Rio 2009 Festival do Rio 2010 Festival do Rio 2011 festrio França Gay Iraque Juventude Literatura Memória Mix Brasil Morte Mostra Mostra de Tiradentes Música Odeon Oscar Poemas Poesia Rio de Janeiro Romênia Teatro Versos É Tudo Verdade

    WP Cumulus Flash tag cloud by Roy Tanck and Luke Morton requires Flash Player 9 or better.