
Eu matei a minha mãe (J’ai tué ma Mère), é um filme longo demais, sem preocupação com a fotografia ou direção de arte. Mas chama atenção pelo fato do diretor canadense Xavier Dolan, aos 20 anos, ter escrito, dirigido, produzido, atuado como ator principal – ele interpreta o personagem Hubert Minel – e ter editado parte do filme.
O foco do longa é o drama existencialista do adolescente, que tem 16 anos e uma série de questões mal resolvidas com a mãe. Ele implica com o gosto kitsch dela, seus gestos e manias. A relação dos dois é paradoxal, amor e desprezo se mesclam e se alternam. Hubert, contudo, tem seu próprio mundo: o namorado Antonin, a amizade com a sua professora de artes e os vídeos que utiliza como uma espécie de suporte analítico para falar dos seus sentimentos e da mãe.
Uma das sequências que chama a atenção é quando a mãe de Antonin encontra a de Hubert e comenta que está feliz com o namoro de dois meses. A segunda, que até então não sabia de nada, não fica chateada por descobrir que o filho é gay, mas porque ele não contou para ela primeiro. O que nos faz refletir, pois, ainda não é comum observamos uma cena como essa no cotidiano familiar brasileiro.
Eu matei a minha mãe não é um grande filme, especialmente, porque os conflitos entre mães e filhos já foram explorados das mais variadas formas no cinema. O que se pode dizer é que a produção, com a assinatura do diretor em cinco categorias, é um trabalho que deve ser visto por estudantes de comunicação, de cinema e pelos que se interessam por uma das consagradas questões freudianas.
Trailer do filme:

Entrevista com Dolan no Festival de Cannes:
Eu matei a minha mãe, Xavier Dolan, 2009.

Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2009.