
No Curdistão iraquiano, durante o regime de Saddam Hussein, Mam Baldar atravessa vilarejos, estepes, vales e desertos para transmitir mensagens pessoais nas fitas que grava com seu rádio.
Baldar, que perdeu dois filhos na Guerra Irã-Iraque, encontra pelo caminho apenas morte, violência e destruição: acossado pelo exército de Saddam Hussein e pelo domínio sunita, leva notícias a remetentes que não mais existem. Crianças do time de futebol adversário, pai que deveria trazer brinquedos para casa, Deus – todos pereceram sob a ditadura e se calam. No entanto, os curdos resistem – através da guerrilha Peshawar e de sua rádio clandestina (sintonizá-la representa a morte).
Shahram Alidi, infelizmente, desperdiça a ótima história que tem em mãos, pois a molda bem ao gosto dos festivais internacionais: planos longos, beleza plástica asfixiante, silêncios milimétricos e presença de não-atores. Mas alcançou o objetivo, já que Sussurros ao Vento participou da Semana da Crítica de Cannes, em 2009.
Sussurros ao Vento, de Shahram Alidi, 2009.

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