
Sua autobiografia começa com fotografias. São registros de sua infância em Bruxelas, das irmãs, dos pais. Junto com sua equipe de filmagem, a diretora Agnès Varda, coloca uma série de espelhos na areia da praia. Eles refletem a fascinação pela experimentação, sua inquietação, o gosto pelo jogo cinematográfico e as lentes das câmeras que revelam sua história em vários atos: a juventude, as descobertas, os laços fraternos, os amores, o feminismo, o encantamento pela pintura,os amigos, os filhos, a perda de Jacques Demy, os dias atuais, mais câmeras e os filmes. O passeio afetivo começa.
Nas praias de Agnès estão as suas paisagens e a celebração da vida. Os fragmentos de sua infância em Bruxelas se juntam na visita que faz a casa onde morou e que está para ser vendida pelo proprietário, que além de convidá-la para ver a casa antes da venda, lhe mostra sua coleção de trens em miniatura. Andando para trás, Varda abre janelas que conduzem ao mar. Ela é marítima e sensível às pessoas e ao mundo.
Quando fala de sua juventude, da trajetória como fotógrafa, dos primeiros filmes e dos amigos da Nouvelle Vague, nos damos conta que ela é a única mulher no núcleo formado por Godard, Truffaut, Rohmer, Resnais, Rivette, Chabrol. É na atmosfera desse perído que ela passa a ser conhecida com seu filme Cléo de 5 às 7 (1962), que a levou pela primeira vez para Cannes e a fez viajar com o filme pelo mundo.
Continuando sua jornada para trás, a diretora revela sua fascinação pelos amigos do teatro. Fala pouco do pai de sua primeira filha. Visita algumas pessoas que participaram dos seus filmes. Suas paisagens são poéticas e firmes. E como Varda diz, ela lembra porque vive. Seu tempo é o presente e sua memória, mesmo que feita de fragmentos, é vasta. Seu documentário impressiona e comove.
Trailer de As prais de Agnès:
Agnès Varda no Festival do Rio
As praias de Agnès, Agnès Varda, 2008.

Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2009.
27 Setembro, 2009| 10:16 am
uma biografia poética!