Revista Moviola » As praias de Agnès

As praias de Agnès


Por Elis Galvão

Publicado em 26 de Setembro de 2009

festivaldorio - divulgacao

Sua autobiografia começa com fotografias. São registros de sua infância em Bruxelas, das irmãs, dos pais. Junto com sua equipe de filmagem, a diretora Agnès Varda, coloca uma série de espelhos na areia da praia. Eles refletem a fascinação pela experimentação, sua inquietação, o gosto pelo jogo cinematográfico e as lentes das câmeras que revelam sua história em vários atos: a juventude, as descobertas, os laços fraternos, os amores, o feminismo, o encantamento pela pintura,os amigos, os filhos, a perda de Jacques Demy,  os dias atuais, mais câmeras e os filmes. O passeio afetivo começa.

Nas praias de Agnès estão as suas paisagens e a celebração da vida. Os fragmentos de sua infância em Bruxelas se juntam na visita que faz a casa onde morou e que está para ser vendida pelo proprietário, que além de convidá-la para ver a casa antes da venda, lhe mostra sua coleção de trens em miniatura. Andando para trás, Varda abre janelas que conduzem ao mar. Ela é marítima e sensível às pessoas e ao mundo.

Quando fala de sua juventude, da trajetória como fotógrafa, dos primeiros filmes e dos amigos da Nouvelle Vague, nos damos conta que ela é a única mulher no núcleo formado por Godard, Truffaut, Rohmer, Resnais, Rivette, Chabrol.  É na atmosfera desse perído que ela passa a ser conhecida com seu filme Cléo de 5 às 7 (1962), que a levou pela primeira vez para Cannes e a fez viajar com o filme pelo mundo.

Continuando sua jornada para trás, a diretora revela sua fascinação pelos amigos do teatro. Fala pouco do pai de sua primeira filha. Visita algumas pessoas que participaram dos seus filmes. Suas paisagens são poéticas e firmes. E como Varda diz, ela lembra porque vive. Seu tempo é o presente e sua memória, mesmo que feita de fragmentos, é vasta. Seu documentário impressiona e comove.

Trailer de As prais de Agnès:

YouTube Preview Image

Agnès Varda no Festival do Rio

YouTube Preview Image

As praias de Agnès, Agnès Varda, 2008.

Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2009.

Compartilhe:
  • Twitter
  • Facebook
  • MySpace
  • Digg
  • del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Google Bookmarks
  • Live



1 Commentário sobre 'As praias de Agnès'

  1.  
    luciane

    27 Setembro, 2009| 10:16 am


     

    uma biografia poética!

Deixe um comentário

(obrigatório)

(obrigatório)


Dê a sua opinião. Mas lembre-se: os comentários serão moderados. Apenas após análise dos editores eles serão postados.



RSS feed para comentários deste artigo | TrackBack URL

 

Por Paulo Ricardo de Almeida

29 de Julho de 2010

Após 17 sessões competitivas de curtas, os 20 melhores filmes que vi no Anima Mundi: 1. The Spine, de Chris Landreth 2. Tuukrid Vihmas, de Priit Pärn e Olga Pärn 3. Tempestade, de César Cabral 4. Passeio de Domingo, de José Miguel Ribeiro 5. Logorama, de François Alaux, Hervé de Crécy e Ludovic Houplain 6. [...]

Por Paulo Ricardo de Almeida

28 de Julho de 2010

No consultório psiquiátrico, durante terapia de grupo, pacientes destroçados revelam suas maiores angústias e frustrações – especialmente a esposa (obesa) que reprime o marido (sem coluna verterbral). Chris Landreth prossegue, no maravilhoso The Spine, com o psicorrealismo que o consagrou em Ryan (Oscar de melhor curta de animação em 2004): os corpos refletem os sentimentos [...]

Por Paulo Ricardo de Almeida

27 de Julho de 2010

Casal se encontra por breves instantes todos os dias – ele trabalha como escafandrista até às seis da tarde, ela é enfermeira de noite. Pérola do humor negro e da sutileza, Tuukrid Vihmas retrata as obrigações cotidianas que separam os amantes. Priit e Olga Pärn se concentram em apenas um dia das atividades do escafandrista: [...]

Por Paulo Ricardo de Almeida

27 de Julho de 2010

Marinheiro solitário atravessa o oceano para encontrar a mulher que ama. A tempestade, no entanto, altera-lhe o percurso e o impede de vê-la novamente. Se apostava na força dos diálogos e no carisma das personagens em Dossiê Rê Bordosa, César Cabral se vale apenas do clima narrativo (luz e cores, sobretudo) em Tempestade, que se [...]

Por Paulo Ricardo de Almeida

27 de Julho de 2010

Todos os domingos, a família realiza o mesmo passeio: o pai estende a vara de pescar no canal (onde se proíbe a atividade) e ouve o jogo de futebol pelo rádio, os filhos brincam às escondidas no porta-malas e a mãe discute e reclama com o marido. Eles se divertem somente quando apostam corrida, pelas [...]

Anima Mundi Animação animações Cachaça Cinema Clube Cannes Cavi Borges CCBB Cineclube Cinema cinema brasileiro Cinema francês Cinema universitário Curta Curta-metragem Curtas Daniela Thomas Debate Documentário Domingos Oliveira Entrevista FBCU Festival Festival do Rio Festival do Rio 2009 Festival internacional festrio Gay Karim Aïnouz Literatura Memória Minas Gerais Mix Brasil Morte Mostra Mostra de Tiradentes Música Odeon Oscar Poemas Poesia Pré-estréia Rio de Janeiro Teatro Versos É Tudo Verdade

WP Cumulus Flash tag cloud by Roy Tanck and Luke Morton requires Flash Player 9 or better.