
Thomas retorna do Iraque, onde recebeu baixa desonrosa do exército. Sem emprego, aceita proposta do turco Ali para ajudá-lo em sua rede de fast foods. Contudo, Thomas se envolve com Laura, esposa de Ali, com quem trama o assassinato do marido.
Christian Petzold adapta e atualiza o romance O Destino Bate à Sua Porta, de James M. Cain, já levado às telas por Luchino Visconti (com o título de Ossessione, marco do Neo-Realismo Italiano), Tay Garnett e Bob Rafelson. Ao triângulo amoroso – a que Jericó permanece fiel -, o diretor soma detalhes da Alemanha contemporânea: o ingresso na União Europeia, a presença de tropas no Iraque, a onde de imigrantes turcos e chineses, a máfia e o crime organizado.
Ao contrário do romance (e da versão de Garnett, por exemplo), Jericó trabalha somente com os acontecimentos que precedem o crime. Assim, Petzold desenvolve e enriquece a vida anterior dos personagens – Thomas na guerra, a família de Ali na Turquia, as dívidas de Laura que a prendem ao marido -, bem como a amizade e a relação de confiança entre Thomas e Ali. No entanto, o cineasta falha ao introduzir Laura na equação, uma vez que não está disposto a levar às últimas consequências os estereótipos do cinema noir.
Inexiste, em Jericó, tensão sexual entre Thomas e Laura. Primeiro, devido ao miscasting de Nina Hoss, escolha pobre se comparada a Clara Calamai, Lana Turner e Jessica Lange (musas, respectivamente, de Visconti, Garnett e Rafelson). Segundo, porque Christian Petzold descarta as tipificações características do filme noir, que moveriam a narrativa: o amante ambicioso porém tolo, o marido traído, a mulher fatal e manipuladora.
Como suprime os eventos que decorrem do assassinato (a culpa que toma os amantes, principalmente), Jericó humaniza os personagens desde o começo, embora se mantenha sempre frio e distante, sem qualquer dose de erotismo ou de paixão.
Assista ao trailer de Jericó, de Christian Petzold:
Jericó, de Christian Petzold, 2008.

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