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Transformers: crítica x propaganda


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Publicado em 7 de Julho de 2009

transformers

Um dos textos mais sóbrios  sobre o filme Transformers foi publicado hoje por Fábio de Oliveira Ribeiro, no Observatório da Imprensa. Ele chama atenção para o fato de muitas “críticas” realizadas pela imprensa não abordarem a problemática do filme, que, segundo ele, é a violação da hierarquia militar. Apesar do autor parecer favorável a não exigência de diploma para jornalistas ao questionar para que serve o canudo se há profissionais (com diploma)  nos veículos oficiais que apenas se limitam a dar as cifras de produção do Transformers, dizer como os recursos especiais foram utilizados e, os mais detalhistas, resumir o roteiro. No contexto atual das condições de trabalho dos jornalistas, estou no time de Alberto Dines, que é a favor do diploma e tem dado informações esclarecedoras sobre os interesses das instituições que viram com bons olhos a decisão do Supremo Tribunal Federal.

A crítica cinematográfica não deve ser propaganda de filmes, ao contrário, necessita ter como base a reflexão, o questionamento e a análise crítica das obras. E, como o texto do Fábio vale a pena ser lido, difundido e tem copyleft, segue reprodução abaixo:

Crítica de cinema valoriza uma mensagem perversa

Por Fábio de Oliveira Ribeiro em 7/7/2009

Este final de semana assisti ao novo filme de Michael Bay. A única coisa que me chamou a atenção em Transformers 2 foi a cuidadosa valorização que o filme fez da desobediência militar.

O conflito entre o agente governamental encarregado de cuidar dos transformers e os militares que cuidavam deles é resolvido em favor dos últimos. As imagens e diálogos apresentam e justificam uma clara violação de hierarquia. Os militares colocam um pára-quedas no servidor nomeado pelo presidente e o jogam de um avião no meio do nada como se ele fosse algo descartável.

Da ficção para a realidade. O presidente Barack Obama, comandante em chefe das Forças Armadas dos EUA em razão do que consta da Constituição Americana, mandou fechar Guantánamo. Esta decisão corre o risco de ser sabotada pelo Congresso (ver aqui). Alguns militares americanos também se mostraram reticentes em relação ao fechamento da hedionda câmara de tortura. Um juiz militar chegou a se recusar a suspender o julgamento de um dos processos (ver aqui).

Servas dos valores militares

Os filmes sempre fornecem exemplos. Os exemplos podem ser bons (caso de The Road to Guantánamo, que questiona as injustiças dos tribunais militares americanos e ingleses e a tortura patrocinada em Guantánamo) ou maus exemplos (caso de Taken, em que a tortura é justificada e valorizada em certas situações, ver aqui).

Quando fazem suas escolhas, os roteiristas e cineastas sabem exatamente o que pretendem. Idem para queles que financiam a produção e possibilitam condições materiais para a conclusão do mesmo. Apesar de valorizar uma quebra de hierarquia militar (um péssimo exemplo exatamente no momento em que a sociedade americana precisa submeter seus militares ao poder civil para frear a abominação das torturas e dos tribunais militares de exceção), o novo filme de Michael Bay termina bem. O mundo é salvo e os atores e protagonistas digitais aparecem na pista de um porta-aviões ao lado dos militares.

O militarismo é um fenômeno terrível, que tende a se reforçar através de todas as instituições sociais. A própria mídia e cultura podem virar servas fiéis dos valores militares. Não foi o que ocorreu na Alemanha nazista?

De que adianta o diploma?

Abaixo, algumas das criticas que Transformers 2 recebeu no Brasil: ver aqui; aqui; aqui; aqui; aqui; e aqui.

Em geral, os autores dos textos linkados se limitaram a dizer quanto dinheiro foi utilizado no filme e como os recursos especiais utilizados são fantásticos. Os mais detalhistas fizeram um pequeno resumo do roteiro. Mas ninguém tocou na problemática da violação de hierarquia militar. Inocentes ou não, todos valorizaram o filme e a mensagem perversa que ele difunde.

Eu não tenho dúvida sobre qual mensagem o filme de Michael Bay passa ao espectador. E você? Uma última pergunta me ocorre. De que adianta o jornalista ter diploma universitário se ele se limitar a fazer propaganda de filmes?

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