
Cildo: visita guiada pelas obras de Cildo Meireles, com o próprio. Ao longo de 84 minutos, o artista plástico explica e comenta seus trabalhos (Desvio para o Vermelho, Marulho, Torre, Inserções em Circuitos Ideológicos, por exemplo), os quais a câmera de Gustavo Rosa de Moura imediatamente revela aos espectadores – sejam as instalações já prontas, ou ainda durante o processo de montagem.
Cildo Meireles declara que escolheu as artes plásticas, em parte, porque não gosta de falar. Contraditoriamente, Gustavo Rosa de Moura lhe dá a palavra – e se esconde atrás do biografado, uma vez que não constrói discurso próprio, baseando-se por completo no do artista. O diretor não transcria (nas palavras de Júlio Bressane), ou seja, não transforma em imagens cinematográficas as propostas que as obras contem – sobre o perecível e o descartável, acerca do ciclo econômico dos produtos que marca a sociedade de consumo, sobre as interseções de arte conceitual com a política e a democracia. Cildo se apenas ilustra, como jornais e revistas que anexam legendas às fotografias.
Destaca-se, no entanto, a sequência em que Gustavo Rosa de Moura filma as réguas que Cildo Meireles utiliza na obra Fontes, da indústria que as produz até a exposição: por breves momentos, Cildo lembra Inútil, de Jia Zhang-Ke, que não somente registra a alta costura chinesa, como também nos mostra a vida dos trabalhadores na linha de montagem, a penúria dos pequenos alfaiates locais e o envolvimento de gangues mafiosas no comércio têxtil.
Cildo, de Gustavo Rosa de Moura, 2008.

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