
Cinebiografia do sambista Miltinho, que cobre sessenta anos da carreira do artista – do início, nos anos 40, nos grupos musicais em que tocava pandeiro, até a carreira solo que influenciou intérpretes como Zeca Pagodinho e Elza Soares.
Ao contrários de outros documentários que retratam personagens reais – Domingos e Cildo, por exemplo, também em cartaz no É Tudo Verdade -, No Tempo de Miltinho não se torna refém daquele que homenageia. Embora lhe dê a palavra, André Weller não a aceita enquanto verdade absoluta, de modo que filme e personagem travam diálogo semelhante ao do sambista com as orquestras que o acompanhavam: ele dois compassos antes ou depois da cabeça da nota, preenchendo os vazios, mas sempre na cadência do ritmo.
No próprio título, André Weller destaca a importância do ritmo para o filme: “No Tempo de Miltinho” não se refere à cronologia dos eventos na vida personagem, e sim à pulsação dos sons, ao andamento da música que alimenta o sambista.
Miltinho admira tanto o ritmo que possui 110 relógios. André Weller pergunta ao músico – na única intervenção direta do cineasta ao longo do filme – se é o tempo que o define, ao que o biografado concorda.
A capacidade de se aliar ao tempo e de transformá-lo em arte.
No Tempo de Miltinho, de André Weller, 2008.

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31 Março, 2009| 8:41 pm
O fime é emocionante. A delicadeza como Miltinho é tratado é comovente. Aplaudo o trabalho de se resgatar astros da nossa cultura popular.