
Passageiros leem no metrô carioca, em flagrantes que revelam pensamentos, amores, sonhos e emoções.
Em Leituras Cariocas, Consuelo Lins trabalha com o registro de momentos efêmeros, suspensos no tempo – que se estabelecem a partir do uso de imagens altamente estetizadas e da câmera lenta.
A diretora não somente acompanha as personagens, mas antes interfere na composição do espaço-tempo. A câmera de Leituras Cariocas domina o olhar, assim como os anjos de Wim Wenders em Asas do Desejos, que observam os humanos e lhes percebem os mais inconfessáveis sentimentos. Não por acaso, ambos os filmes utilizam o mesmo recurso narrativo: as vozes em off para revelar a alma dos passantes.
No entanto, ao contrário dos anjos em Asas do Desejo, não há elemento interno à narrativa que intermedie e justifique a relação entre câmera e personagens em Leituras Cariocas (embora a diretora procure vínculos, sem sucesso, com as câmeras de segurança do metrô).
Sobra, portanto, gratuidade e afetação em Leituras Cariocas.
Leituras Cariocas, de Consuelo Lins, 2009.

Veja a cobertura completa do É Tudo Verdade