Revista Moviola » Caligrafia e Paragem

Caligrafia e Paragem


Por Thiago Ponce de Moraes

Publicado em 12 de Março de 2009

book

Não imaginas linguagem alguma –
E a manhã rompe como uma ferida em teus lábios.
Tua boca se abre, apenas uma palavra sangra
Enquanto passa o dia.

Sépala: na casa do esquecimento afundas.
Folhas no chão e sombras da folhagem das árvores
Por onde o caminho vaza. A noite
Não precisa de estre‐

Las.  Riscam a areia tuas folhas,
Uma palavra ainda tem
Luz:
Nada está perdido.

Paragem

Navega este mar que os sonhos lega. Para
Compreenderes teu mundo,
Não te prendas
Ao dia que o não supõe, nem a nada compreendas –
Supera a navegabilidade de contemplar um poente imposto,
A teu ver, e coisas que entrevês vacilantes pelas sombras,
O dia se pondo em fendas
Sem nomes ou formas ou fundos (supões),
Intactas, por vezes, mas nunca puras,
Pois
Cada uma de um jeito em cada está (esta
Agora seria a tua memória, esta, uma
Casa de campo sem campo,
Só cansaço e muros
Brancos de uma tarde
Sob arcos de
Espinhos);

Explora outras origens com teus olhos a que falta o saber,
Que o crepúsculo sopra de tuas tristezas um ar gelado,
Uma véspera, uma arqueologia do presente inane
Em que te negues nunca apenas,
Pois.

tracejado.jpg

Poemas publicados na Moviola são inéditos e fazem parte do livro De gestos lassos ou nenhuns.

Thiago Ponce de Moraes é poeta e tradutor. Faz parte do Conselho Editorial da Zunái – Revista de poesia & debates – e do Jornal de Poesia Contemporânea – O Casulo. E é um dos organizadores da Flap! carioca. Tem publicações em diversas antologias e periódicos, com destaque para a Antologia Poetas jovens (no papel rascunho), 2006; Revista sèrie Alfa nº 33, 2007; Antologia VacAmarela (trilíngüe), 2007; Antologia da Poesia Brasileira do Início do Terceiro Milénio, 2008; e Fome de Forma, 2008,. Em 2006 publicou seu primeiro volume de poemas, Imp.

Compartilhe:
  • Twitter
  • Facebook
  • MySpace
  • Digg
  • del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Google Bookmarks
  • Live



1 Commentário sobre 'Caligrafia e Paragem'

  1.  
    Iracema Macedo

    13 Setembro, 2009| 8:07 am


     

    Olá, Thiago, escrevo e sou leitora de poesia. Gostei muito do seu poema “Paragem”. A boa poesia faz a suscita, além da beleza e força,
    curiosidade para ler mais o autor. Quando for lançar seu livro de poemas, por gentileza, me avise. Meu e-mail macedoamerica@yahoo.com

Deixe um comentário

(obrigatório)

(obrigatório)


Dê a sua opinião. Mas lembre-se: os comentários serão moderados. Apenas após análise dos editores eles serão postados.



RSS feed para comentários deste artigo | TrackBack URL

 

Por Paulo Ricardo de Almeida

29 de Julho de 2010

Após 17 sessões competitivas de curtas, os 20 melhores filmes que vi no Anima Mundi: 1. The Spine, de Chris Landreth 2. Tuukrid Vihmas, de Priit Pärn e Olga Pärn 3. Tempestade, de César Cabral 4. Passeio de Domingo, de José Miguel Ribeiro 5. Logorama, de François Alaux, Hervé de Crécy e Ludovic Houplain 6. [...]

Por Paulo Ricardo de Almeida

28 de Julho de 2010

No consultório psiquiátrico, durante terapia de grupo, pacientes destroçados revelam suas maiores angústias e frustrações – especialmente a esposa (obesa) que reprime o marido (sem coluna verterbral). Chris Landreth prossegue, no maravilhoso The Spine, com o psicorrealismo que o consagrou em Ryan (Oscar de melhor curta de animação em 2004): os corpos refletem os sentimentos [...]

Por Paulo Ricardo de Almeida

27 de Julho de 2010

Casal se encontra por breves instantes todos os dias – ele trabalha como escafandrista até às seis da tarde, ela é enfermeira de noite. Pérola do humor negro e da sutileza, Tuukrid Vihmas retrata as obrigações cotidianas que separam os amantes. Priit e Olga Pärn se concentram em apenas um dia das atividades do escafandrista: [...]

Por Paulo Ricardo de Almeida

27 de Julho de 2010

Marinheiro solitário atravessa o oceano para encontrar a mulher que ama. A tempestade, no entanto, altera-lhe o percurso e o impede de vê-la novamente. Se apostava na força dos diálogos e no carisma das personagens em Dossiê Rê Bordosa, César Cabral se vale apenas do clima narrativo (luz e cores, sobretudo) em Tempestade, que se [...]

Por Paulo Ricardo de Almeida

27 de Julho de 2010

Todos os domingos, a família realiza o mesmo passeio: o pai estende a vara de pescar no canal (onde se proíbe a atividade) e ouve o jogo de futebol pelo rádio, os filhos brincam às escondidas no porta-malas e a mãe discute e reclama com o marido. Eles se divertem somente quando apostam corrida, pelas [...]

Anima Mundi Animação animações Cachaça Cinema Clube Cannes Cavi Borges CCBB Cineclube Cinema cinema brasileiro Cinema francês Cinema universitário Curta Curta-metragem Curtas Daniela Thomas Debate Documentário Domingos Oliveira Entrevista FBCU Festival Festival do Rio Festival do Rio 2009 Festival internacional festrio Gay Karim Aïnouz Literatura Memória Minas Gerais Mix Brasil Morte Mostra Mostra de Tiradentes Música Odeon Oscar Poemas Poesia Pré-estréia Rio de Janeiro Teatro Versos É Tudo Verdade

WP Cumulus Flash tag cloud by Roy Tanck and Luke Morton requires Flash Player 9 or better.