
Não imaginas linguagem alguma –
E a manhã rompe como uma ferida em teus lábios.
Tua boca se abre, apenas uma palavra sangra
Enquanto passa o dia.
Sépala: na casa do esquecimento afundas.
Folhas no chão e sombras da folhagem das árvores
Por onde o caminho vaza. A noite
Não precisa de estre‐
Las. Riscam a areia tuas folhas,
Uma palavra ainda tem
Luz:
Nada está perdido.
Paragem
Navega este mar que os sonhos lega. Para
Compreenderes teu mundo,
Não te prendas
Ao dia que o não supõe, nem a nada compreendas –
Supera a navegabilidade de contemplar um poente imposto,
A teu ver, e coisas que entrevês vacilantes pelas sombras,
O dia se pondo em fendas
Sem nomes ou formas ou fundos (supões),
Intactas, por vezes, mas nunca puras,
Pois
Cada uma de um jeito em cada está (esta
Agora seria a tua memória, esta, uma
Casa de campo sem campo,
Só cansaço e muros
Brancos de uma tarde
Sob arcos de
Espinhos);
Explora outras origens com teus olhos a que falta o saber,
Que o crepúsculo sopra de tuas tristezas um ar gelado,
Uma véspera, uma arqueologia do presente inane
Em que te negues nunca apenas,
Pois.

Poemas publicados na Moviola são inéditos e fazem parte do livro De gestos lassos ou nenhuns.
Thiago Ponce de Moraes é poeta e tradutor. Faz parte do Conselho Editorial da Zunái – Revista de poesia & debates – e do Jornal de Poesia Contemporânea – O Casulo. E é um dos organizadores da Flap! carioca. Tem publicações em diversas antologias e periódicos, com destaque para a Antologia Poetas jovens (no papel rascunho), 2006; Revista sèrie Alfa nº 33, 2007; Antologia VacAmarela (trilíngüe), 2007; Antologia da Poesia Brasileira do Início do Terceiro Milénio, 2008; e Fome de Forma, 2008,. Em 2006 publicou seu primeiro volume de poemas, Imp.
13 Setembro, 2009| 8:07 am
Olá, Thiago, escrevo e sou leitora de poesia. Gostei muito do seu poema “Paragem”. A boa poesia faz a suscita, além da beleza e força,
curiosidade para ler mais o autor. Quando for lançar seu livro de poemas, por gentileza, me avise. Meu e-mail macedoamerica@yahoo.com