Vestida, 2008, de Juliana Rojas.

Cláudio retorna à casa da família, no interior de Minas Gerais, para acompanhar o enterro da mãe. No campo, vive novamente o cotidiano da fazenda, antes de voltar à cidade grande, onde trabalha com “serviços gerais”.
Juliana Rojas se estabeleceu, no cinema, através da parceria com Marco Dutra (Lençol Branco e Um Ramo). No primeiro voo solo – de longe, seu melhor filme -, chama atenção a semelhança com a obra do argentino Lisandro Alonso: como em Los Muertos e em Liverpool, Vestida se atém ao registro, olhar documental que flagra os pequenos incidentes do dia-a-dia: pai e filho que conversam à mesa do jantar, Jonas que tira o leite da vaca, Cláudio que alimenta as galinhas e colhe as frutas do pomar. Juliana Rojas arrisca e acerta ao utilizar apenas integrantes da comunidade local no elenco, já que garante – sobretudo nas hesitações dos “atores” – completa veracidade ao filme.
Vestida esquadrinha os hábitos da fazenda, detém-se sobre eles, a fim de revelar a ausência da mãe. A vida continua, mas com a ferida que a morte deixa, com a perda do ente querida, que não se apaga e que não se esquece. Jonas, o pai, chora sozinho abraçado ao vestido da esposa. Cláudio, o filho, passa os dedos sobre o próprio nome que a mãe, provavelmente, entalhou na madeira, até machucá-los.
Dentro do ônibus rumo à cidade grande, Cláudio traz consigo a dor e a saudade. Em Vestida, melhor curta-metragem da 12a. Mostra de Cinema de Tiradentes, a morte está presente tanto na alma, quanto no corpo daqueles que ficam para trás.

Veja a cobertura completa da 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes