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Hotxuá


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Publicado em 29 de Janeiro de 2009

Hotxuá, 2007, de Letícia Sabatella e Gringo Cardia.

Hotxuá, sacerdote do riso da tribo krahô.

Letícia Sabatella e Gringo Cardia passaram dez dias entre os índios da tribo krahô, no Tocantins, com o intuito de filmar os hotxuás, sacerdotes do riso – palhaços rituais que, além de manterem a força da comunidade ao alegrá-la, preservam os festejam que homenageiam as plantas, os quais constituem as leis principais dos krahôs.

Hotxuá, filme de descobertas. Os diretores ouvem os mais velhos da tribo, que explicam as tradições krahô, desconhecidas por nós. Letícia Sabatella e Gringo Cardia não assumem tom professoral – ao contrário, com humildade e respeito, dão voz aos entrevistados. Da mesma forma, registram com sincero maravilhamento a corrida das toras, que garante o equilíbrio da natureza, e a festa da batata, verdadeiro mito fundador que estruturou a organização social da aldeia, que originou os hotxuás e que se reencena todos os anos.

Contudo, Hotxuá poderia explorar com mais ênfase as relações entre os krahôs e o homem branco, bem como as ameaças à tribo – a expansão da soja, de um lado, e a hidrelétrica, de outro. A comunidade, mque teve a reserva demarcada por Cândido Rondon após massacre nos anos 40, vê-se hoje pressionada pelo modelo de desenvolvimento brasileiro, que privilegia o avanço das fronteiras agrícola e energética. Na melhor sequência do filme, com a enorme plantação de soja ao fundo, índios reclamam do novo “vizinho”, que lhes rouba as terras e que não lhes permite acesso ao rio.

Infelizmente, Letícia Sabatella e Gringo Cardia perdem tempo com o “lírico” encontro entre o hotxuá e o palhaço de origem européia. Momento contrangedor e descartável.

Veja a cobertura completa da 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes

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