Confessionário entrevista, em Turim, o missionário católico italiano Silvano Sabatini, a respeito de sua atuação na reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.
De memória prodigiosa, mesmo com idade bastante avançada, Silvano Sabatini lembra-se dos mínimos acontencimentos de décadas atrás. Leonardo Sette se aproveita para filmar o padre em plano-sequência, câmera fixa que registra cada palavra dita num fôlego só.
Já no próprio título, o filme trabalha com a dualidade entre o sacramento da confissão católica, ministrado pelo padre, e o confessionário em que Leonardo Sette transforma o espaço à frente da objetiva. Silvano Sabatini deve testemunhar para a câmera, assim como os fiéis contam seus pecados ao sacedorte, na igreja.
No entanto, quais pecados Silvano teria para expiar? A catequisação dos índios? Seria a câmera meio adequado para tal finalidade? Leonardo Sette acredita que não, nem compara o diretor a Deus – ao explicitar a troca de rolo durante a filmagem, ele coloca em perspectiva o próprio cinema enquanto ato de registro, e o documentário como verdade.
Confessionário, de Leonardo Sette, 2009.

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