Depois das Nove, 2008, de Allan Ribeiro.

Rafael mora em Copacabana com a avó. Falam-se pouco. Ela sempre ouve o rádio e passeia com o cachorro, ele quase não deixa o quarto, onde fica conectado à internet.
Em Depois das Nove, o mundo de Rafael é essencialmente virtual. Sintoma dos novos tempos, ele prefere a solidão que a tecnologia lhe proporciona ao contato com os vizinhos. Além de observar os passantes na rua, qual voyeur, apenas o despertar de algum apartamento próximo – que toca às nove em ponto, todos os dias – relaciona-o ao exterior.
Quando o proprietário do despertador morre (seja quem for, jamais sabemos) e a avó para no hospital, Rafael abandona o (auto-)isolamento: sai do prédio, circula com o cão pelo bairro, interage com o mundo. Que diferença para Osório, de Heloísa Passos e Tina Hardy, em que a personagem continua inerte, vazia, morta!
É preciso coragem para se libertar de velhos hábitos e assumir riscos, mesmo que sejam tão frugais quanto dar uma volta no quarteirão. Depois das Nove nos fala do prazer em se aventurar pelo desconhecido que está ao nosso lado.
Veja a cobertura completa da 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes