Cidade Vazia, 2008, de Cássio Pereira dos Santos.
Bruna e Beto são primos, vivem no interior de Minas Gerais e nada têm para fazer. Cássio Pereira dos Santos registra o dia dos adolescentes na pequena cidade: compras, sorvetes, festas, beijos, trotes e até furto de bicicleta servem na busca por estímulos.
Cidade Vazia mostra, com economia e secura, a “vida besta” que Carlos Drummond de Andrade enunciou em verso. Outro mérito do filme: a total ausência de contato entre pais e filhos. Bruna não se comunica com a mãe, em eloquente fosso de gerações – como na obra de Larry Clark, a adolescência forma verdadeiro clã com regras próprias, que se volta contra a vida adulta.
Discutível, porém, a escolha pela narrativa fragmentada, fora da ordem cronológica. Na cidadezinha não se vê o tempo passar? Talvez. Mas quiçá efeito mais incômodo se alcançasse através da estrutura clássica, de início-meio-fim.

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