Mar de Dentro, 2008, de Paschoal Samora.

Velhos pescadores de Santa Catarina relatam suas experiências no mar: amores, aventuras, emoções. Como no belo plano inicial das vagas do oceano, multiformes, as lembranças fluem para que a câmera as apreenda. Paschoal Seabra ainda crê (felizmente!) no cinema enquanto testemunha de histórias, que se voltam contra a passagem implacável do tempo.
O cineasta deve ouvir e coletar todas as narrativas, e com elas tecer o filme, da mesma forma que o pescador fabrica a rede enquanto fala sobre a esposa morta aos 26 anos. Ou guardar quaisquer informações, por mais prosaicas que lhe soem, com absoluto respeito, como a personagem que forra o teto com os papéis de suas viagens de barco.
Mar de Dentro, filme de afetos, que luta – tal qual o extraordinário último plano – para que as memórias dos pescadores e da comunidade que representam não se transformem em areia dispersa pelo vento.

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