Engano, 2008, Cavi Borges

Brian de Palma sempre foi o mestre da tela dividida – Irmãs Diabólicas ou Femme Fatale, por exemplo. Contudo, a referência atual é Mike Figgis e o horroroso Timecode, em que o mesmo evento se desdobra sob quatro pontos de vista diversos, em planos-sequências que se cruzam esporadicamente.
Engano, infelizmente, não foge à nova regra. Renato e Milla, ator e atriz (gaúchos que quase se conheceram em Porto Alegre), há pouco no Rio de Janeiro, falam por acaso no celular. Estão na rua, vivem solitários na cidade grande, quem sabe não se encontram? Mas não, a bateria teima em acabar…
Assunto recorrente no cinema – almas desamparadas que se conhecem na metrópole fugaz – que Engano trata com desonestidade, pois não há coincidência ou acaso no encontro de Renato e Milla: a tela dividida e os planos-sequências concomitantes representam mecanismos explícitos de encenação, os quais Cavi Borges alonga ao infinito para manipular o desfecho trágico da narrativa.

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