Dreznica, 2008, de Anna Azevedo.

Dreznica revela, em imagens sensoriais, memórias e sonhos relatados por cegos. Impossível não lembrar de O Escafandro e a Borboleta – mas se Julian Schnabel procura decodificar (ou recodificar) as estretégias com que Bauby percebe o mundo e com o qual o exterior lhe afeta, Anna Azevedo cria associações livres – “líricas” para alguns – entre as falas das personagens e as imagens de arquivo dos anos 70, captadas em Super 8.
A fim de reforçar a suposta poesia de Dreznica, Anna Azevedo se utiliza de filmes familiares para dar voz imagética a quem não enxerga. Com o Super 8 caseiro, não há regras de enquadramento ou de composição, o que, teoricamente, adequa-se aos cegos. No entanto, o filme inteiro se media pelo discurso, pela linguagem – leis que fundamentam qualquer sociedade humana.
Dreznica, enfim, torna-se refém do impasse entre a ausência de regras nas imagens e a onipresença do código na linguagem, as duas forças que se batem ao longo do filme.

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