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Suzy Brasil


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Publicado em 25 de Novembro de 2008

 

Suzy Brasil: A Deusa da Penha Circular, de Renata Than, 2008, Brasil, 20’

Suzy Brasil: A Deusa da Penha Circular, de Renanta ThanOutro programa tradicional do Mix Brasil é o Trash-O-Rama. O nome já diz tudo: são filmes completamente trash - como o americano Bíblias para Marte, de Pete Barnstrom (2006, 13’), filmes que brincam com a fronteira entre o “sério” e o trash - como o alemão A vagina gostosa de Edith, de Jörn Hartmann (2007, 11’), filmes que se levam tão a sério de mais que acabam sendo trash, como o terror lésbico (?) americano À Sombra do Crepúsculo, de T. M. Scorzafava (2008, 12’).

E, pelo visto, tem também filmes sobre personagens que são ou podem ser considerados trash.

É o caso deste Suzy Brasil: a Deusa da Penha Circular, de Renata Than. Em apenas 20 minutos, o espectador é apresentado a dois personagens fascinantes, que dividem o mesmo corpo: a travesti Suzy Brasil, – “a deusa da Penha Circular” – , e sua identidade secreta – Eduardo, professor de Biologia da rede pública de ensino.

Peraí… um cara que é travesti de noite e professor de dia? Este personagem não me é estranho… Alguém aí já ouviu falar em Laura de Vison?

(Parêntesis para alguma brincadeira, que cinéfilo também não é de ferro. No momento em que fiz esta pergunta, me lembrei de uma daquelas brincadeirinhas um tanto quanto escrotas com um quê de homófoba. É assim: faça esta pergunta ao seu interlocutor. Se ele responder que não, dizer rápido: “É claro, bicha nova nunca ia se lembrar mesmo…” Se responder que sim, diga na bucha: “Aí, hein, bicha velha!…” O único risco é o seu interlocutor não levar na esportiva e você apanhar feito um boi ladrão, mas isso já são outros quinhentos…)

Laura de Vison – identidade pública de Norberto Chucri David, licenciado em filosofia, psicologia e história pela Faculdade Nacional de Filosofia e professor de História e Educação Moral e Cívica da rede pública estadual – foi um dos personagens LGBT mais emblemáticos da noite carioca – mais especificamente, da noite da Lapa, testemunha ocular de sua fase decadente, entre os anos 1970 e 1980, e de seu, digamos, renascimento, a partir da década de 1990, até virar purpurina (até porque, como reza o costume, gay não morre, vira purpurina) em 2007. E a primeira coisa em comum entre ela e Suzy é que ambas estão imortalizadas no audiovisual – especialmente no documentário da UFF Na calada da noite, de Paulo Halm e Luiz Arnaldo Campos. (Aliás, outra coisa em comum: Suzy Brasil também é um filme de escola – de alunos da Escola de Cinema Darcy Ribeiro.)

Bem, Suzy Brasil pode ser considerada uma reencarnação tosca-pero-no-mucho de Laura de Vison – a começar por sua maquiagem meio-tribufu-meio-palhaço-de-circo que a caracteriza. E é um achado inteligente dar voz ao seu alter-ego, o jovem professor Eduardo – com sua história e suas opiniões sobre a vida, a sua vida – e também à Suzy Brasil, com seu sensato besteirol.

Enfim, Laura de Vison ganhou uma sucessora – ainda que meio trash, é verdade – à altura de seu escracho e irreverência. Mais ainda, ganhou um registro magnífico registro no audiovisual para a posteridade.

 

Veja a cobertura completa do 16º Festival Mix Brasil

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    2 Commentários sobre 'Suzy Brasil'

    1.  
      diogo

      12 Setembro, 2009| 4:10 pm


       

      vc e tudo,sou seu fã,curto vc de montão.sucesso,sempre

    2.  
      Aldo

      5 Dezembro, 2009| 12:12 pm


       

      Pô… o nome não é Fernando, é Marcelo; e ele não é travesti, é caricata. Fora que não acho que tenha sucedido Laura de Vison. Sobre ela vi pouco, mas vi poucas semelhanças com Suzy Brasil

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