Os Sapatos de Aristeu, de Luiz René Guerra, Brasil, 17′
Os sapatos de Aristeu, de Luiz René Guerra (FAAP), está se tornando um dos curtas-metragens mais premiados de todos os festivais brasileiro do qual participou. Até prova em contrário, está merecendo todos. Agradecimentos principais à dissecação que o roteiro sofreu numa oficina do Projeto Sal Grosso, em uma das edições do Festival Brasileiro de Cinema Universitário. Mas principalmente à sensibilidade do próprio diretor e autor do roteiro, que optou por transcender à mera temática LGBT – ou melhor, da questão do homossexualismo como algo ainda em processo de aceitamento, de entendimento – e apostar na intensidade de suas emoções contidas, reforçadas por um preto-e-branco extremamente expressivo, para falar de uma derrubada de muros.
O muro, neste caso, é temporal e psicológico, que ocasiona uma certa dificuldade de diálogo. Mas de que matéria é feito este muro? Seria feito do ressentimento de uma família, reduzida à mãe (Berta Zemel, em atuação primorosa) e à irmã (Denise Weinberg) pelo filho mais velho, que os abandonou para seguir sua vontade? Seria feito de preconceito e certa homofobia, quando mãe e irmã decidem que o filho e irmão, já morto depois de ter vivido como quis — como um travesti — seria enterrado como homem, de terno e tudo, e sem a presença de ninguém, especialmente suas amigas travestis (tendo uma digna Phaedra D. Córdoba à frente)? Difícil determinar. Podem até ser todos estes materiais ao mesmo tempo. O fato é que, ao final, este muro tão forte acaba se desmanchando no ar, tal qual bolinha de sabão.

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