Talvez por protesto das meninas (especialmente as que amam meninas), irritadas, talvez pela predominância de cineastas e filmes com gays, o Mix Brasil sempre manteve a tradição de uma mostra especial de filmes com temática ou personagens lésbicos, o Mapa das Minas. Pessoalmente, sempre gostei deste programa, porque traz algumas surpresas bem interessantes.
Ah sim, um aviso aos que procuram filmes parecidos com os da programação normal do cine Rex ou do Orly: pode ir baixar noutro terreiro se é isto que procuram. O filme mais próximo deste objetivo (afinal, as meninas também não são de ferro) é o brasileiro Indulgência, do coletivo xplastic, que consegue, em 2 minutos, o que Filthy não consegue em 17 minutos. (Mas dê uma olhada nos comentários sobre Filthy e tire suas conclusões). Mas é que a prioridade deste programa não é… digamos… levantar a moral de ninguém, mas falar de personagens lésbicas e seus dilemas, alegrias finais felizes etc. e tal.
Claro que corremos o risco de encontrar decepções como o francês Minha primavera de salto alto, de Viva Delormne (2007, França, 13′). As principais razões podem ser encontradas no início do comentário de Fernando Secco sobre Café com leite: é um daqueles filmes que se sente obrigado a tocar na questão do homossexualismo como algo ainda em processo de aceitamento, de entendimento. Sem falar no modo francamente tedioso com que este assunto é tratado.
Mas, neste Mapa das Minas de 2008, há mais surpresas interessantes do que decepções.
Há um encontro permeado de um agradável perfume de realismo mágico, entre uma mulher que vai ao enterro do pai, e uma outra moça, no suíço 510 Metros Acima do Mar/510 Meter Über dem Meer, de Kerstin Polte, (2008 - 17′).
Há dois reencontros: um bem tardio, mas doce, no norueguês A Estréia / Premieren, de Margret Bergheim (2007 - 9′); outro reencontro como paródia da série The L Word, no americano Perdidas na Trama / A Work in Progress, de Keshia Coe, 2008, EUA, 9′).
E – achado dos achados – uma ciranda drummondiana com sabor de Pedro Almodóvar, no espanhol O Pátio da Minha Casa, O / El Patio de Mi Casa, de Pilar Gutiérrez Aguado (2008, Espanha, 25′). O casal de jovens músicos que cantam, como um coro grego musical, foi um achado sensacional.
Esses aí, quem perdeu, perdeu mesmo.
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