Cinco Minutos, de Ricky Mastro, 2008, Brasil, 10′
Quem assistiu a Os sapatos de Aristeu, de Luiz René Guerra e, depois, a este Cinco minutos (ambos, aliás, na Competitiva Brasil III, do 16º Festival Mix Brasil), percebeu algumas gratas semelhanças (além do fato de ambos terem sido realizados na FAAP – ou melhor, por alunos formandos desta escola de cinema) entre eles. Ambos lidam com personagens LGBT (no caso, L mesmo, lésbicas). Ambos lidam com suas histórias com uma delicada intensidade. E ambos tem como fato detonador a irrupção abrupta da morte, e sobre a forma de lidar com ela.
As personagens Alice (Nyrce Levin) e Adélia (Angela Barros) vivem juntas há anos, em uma relação estável, num pequeno apartamento em frente ao Elevado Costa e Silva (o famigerado Minhocão). Ali também criaram Stella (Sara Sarres), filha do primeiro casamento de Adélia. Na verdade, há algum tempo, Alice cuida de Adélia, que está doente. As coisas vão assim, até que, de repente – ou seja, em cinco minutos (os cinco minutos do título) – Adélia morre. A partir daí, o filme se centra no modo como Alice e Stella lidam com o fato, com a dor com as lembranças da longa relação de amor, com o tempo.
Contado assim por este escriba incompetente, não parece muita coisa. Logo, é preciso ver o filme, para perceber que ele lida com todos estes elementos com uma intensidade delicada, apoiada no roteiro sensível e na belíssima direção de atores – outras coisas que Os sapatos de Aristeu tem em comum.
Ambos lidam com personagens LGBT. Ambos lidam com suas histórias com uma delicada intensidade. Ambos tem como fato detonador a irrupção abrupta da morte, e sobre a forma de lidar com ela.
E ambos são belos.
Espero para Cinco minutos a mesma carreira longa e de sucesso (pelo menos, em festivais) de seu, digamos, co-irmão Os sapatos de Aristeu. Ele merece.
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