A Tal Guerreira, de Marcelo Caetano, 2008, Brasil, 14′
Como é público e notório, figuras femininas muito fortes, depois de algum tempo, tornam-se ícones permanentes no imaginário gay (Carmen Miranda é o exemplo mais famoso e mais manjado do que nota de um real, se é que você ainda acha fácil uma nora de um real…) .
Também como todo o mundo sabe (ou não), o candomblé e a umbanda são as únicas religiões brasileiras que aceitam a homossexualidade para seus fiéis e sacerdotes, até porque vários de seus pais-de-santo recebem orixás fêmeas – Oxum, Iansã etc (talvez seja por isso que as alas mais fanáticas de diversas confissões evangélicas as combatem até o ódio intolerante).
Os dois mundos – o sagrado e o profano – acabam se cruzando em A tal guerreira, de Marcelo Caetano, sobre Clara Nunes. Ou melhor, sobre o ícone que a cantora – precocemente falecida aos 41 anos, durante uma desastrada cirurgia de varizes – se tornou na umbanda – onde se tornou a entidade-guia do templo Clara Nunes (que acreditam que ela se tornou um orixá Yansã no momento de sua morte) – e no mundo gay – onde o travesti Michelly passou a personificar a cantora numa boate gay.
A tal guerreira nos informa sobre isso e sobre o diálogo entre estes dois mundos. E é só. Correto demais em sua feitura, não vai além do informativo, e por isso nos decepciona.
Aliás, decepciona mesmo quem acha Clara Nunes um ser de luz, pois está longe de ser iluminado.

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