As Fugitivas, de Otavio Chamorro, 2007, Brasil, 13′
Um breve conselho à ala trotskista-de-extrema-esquerda (prima-irmã da ala fascista-de-extrema-direita, se existir) do humorismo – isto é, nenhum – e do movimento GLBT: se não pode combater e derrotar um tipo de humor preconceituoso, leve na esportiva e, depois, incorpore-o à sua cultura, transformando-o em auto-gozação. OU, em português claro: siga o exemplo recente dos portugueses (que não só já não se importam mais com piadas de português, como começaram a inventar piadas… de brasileiro…) e o exemplo mais antigo dos judeus – o brasileiro Jurandir Chavsky (mais conhecido nas lides musicais e humorísticas como Juca Chaves) e o americano Allen Stewart Königsberg (vulgo Woody Allen) que o digam.
É verdade que As fugitivas, de Otávio Chamorro, tem todos os clichês homofóbicos que se possam imaginar – a começar pelos protagonistas, Pedro e Duduzinho, duas… com perdão do termo homofóbico… duas “bichinhas”. Mas a proposta do filme é de ser uma comédia pastelão muito escrachada – e ela não só cumpre esta papel a contento, como paradoxalmente escracha todos os clichês homofóbicos de tal forma que você não consegue levá-los (os clichês, claro) a sério. Você simpatiza com os protagonistas e ri a pregas desbandeiradas… digo, a bandeiras despregadas. Excelente.

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27 Novembro, 2008| 2:45 pm
Resumiu o que eu sentia pelo filme, quando escrevi. As minhas posições sobre ser gay e sobre comédia, que antes pareciam loucuras da minha cabeça, aparentemente fazem um sentido. Fico feliz.
Abraço e obrigado pela crítica, por ter gasto parte do seu tempo vendo e escrevendo sobre o filme!