Asbe Du-Pa, de Samira Makhmalbaf, 2008, Irã.

No Afeganistão pós-talibã, jovem que mora nos esgotos é contratado para transportar garoto que perdeu as pernas na guerra. Entre os dois, cria-se relacionamento que se funda no desprezo mútuo, na humilhação e no poderio econômico.
Samira Makhmalbaf realiza o filme mais abjeto do Festival do Rio 2008, pois a lógica da encenação de Cavalo de Duas Pernas consiste no acúmulo de eventos degradantes. O jovem que mora nos esgotos se animaliza (leva o “mestre” nas costas, colocam-se-lhe sela e ferraduras, dorme no estábulo, come feno e veste máscara de cavalo) para, depois das infinitas e chocantes privações, libertar-se no final.
Cavalo de Duas Pernas, como os filmes de Satyajit Ray e de Youssef Chahine, gostaria de falar sobre o poder corruptor do dinheiro, que lança a sociedade em abismo ético, moral e espiritual sem fundo. Samira Makhmalbaf, no entanto, consegue apenas vilipendiar seus personagens com extremo mau-gosto.
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