Katyn, de Andrzej Wajda, 2007, Polônia.

Após a comédia farsesca Vingança (2002), Andrzej Wajda volta ao terreno familiar do drama histórico em Katyn, no qual revisa o massacre dos oficiais do exército polonês, em 1940, pelos soviéticos, na floresta que dá título ao filme.
Wajda, cujo pai foi assassinado em Katyn, debruça-se sobre os eventos que fundaram a Polônia do pós-Segunda Guerra Mundial: a divisão do país entre alemães e soviéticos, o aniquilamento das forças armadas e dos grupos de resistência nacionais, a ocupação e o domínio comunista. O genocídio, que de início os nazistas usam contra a URSS, torna-se símbolo político que legitima a presença do Exército Vermelho em solo polonês, uma vez que a máquina de propaganda stalinista responsabiliza os alemães e elimina qualquer indício da culpa soviética.
Recuperar a História, que décadas de mentiras oficiais do regime comunista soterraram. Andrzej Wajda busca as memórias individuais de personagens cujas vidas foram destruídas pelo massacre de Katyn - sobretudo os que orbitam Andrzej e Anna, sua esposa. O cineasta, no entanto, ao invés de apostar na câmera documental e na proximidade com aqueles que retrata (as quais surgem apenas no fim, na seqüência em que se fuzilam e desovam os prisioneiros na cova coletiva aberta dentro da floresta), prefere o luxo e o melodrama da encenação hollywoodiana, que se importa mais com os travellings afetados da fotografia em scope de Pawel Edelman, com a música hiper-dramática e onipresente de Krzysztof Penderecki e com os cenários e figurinos que recriam os ambientes do período.
A infinidade de personagens e de enredos mal-desenvolvidos prejudicam a narrativa de Katyn, pois se Andrzej Wajda despeja acontecimentos na tela, falta-lhe tempo para as dúvidas morais que corróem as entranhas de seus heróis, característica dos melhores filmes do diretor (O Homem de Ferro, Sem Anestesia, Cinzas e Diamantes). Apenas no episódio do tenente Jerzy, sobrevivente de Katyn e que se integra ao Exército Vermelho - mortificado por conhecer a verdade, e ao mesmo tempo por compactuar com a mentira sobre o genocídio -, vemos resquícios do combativo Wajda do Solidariedade.
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