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Liverpool



Paulo Ricardo de Almeida

Liverpool, de Lisandro Alonso, 2008, Argentina / França / Holanda / Alemanha / Espanha.

Depois de longa ausência, Farrel, que trabalha na marinha mercante, visita a família em Ushuaia, Terra do Fogo, Patagônia. Os habitantes locais não o reconhecem, a mãe está doente e senil, o pai gostaria que ele continuasse distante e a filha - Analía - nasceu somente após sua partida.

A câmera de Lisandro Alonso segue os passos os herói, e observa atentamente as ações que Farrel empreende durante o retorno. Assim, ela o vê descer do navio, separar os objetos pessoais entre as bolsas, jantar em restaurante, ir a clube de strip-tease, pegar carona em caminhão que o leva a Ushuaia, conhecer a filha, embebedar-se, conversar inutilmente com a mãe e outra vez desaparecer. São planos longos, que registram e documentam a totalidade dos acontecimentos e os estendem no tempo, a fim de inseri-los na vida cotidiana, revelendo o que possuem de mais banal e repetitivo.

Liverpool trabalha com o impacto que a presença / ausência de Farrel tem sobre a família. As intenções do cineasta se tornam claras quando o protagonista sai de cena e a narrativa passa a acompanhar Analía. Como se Farrel não existisse, a vida continua, com o mesmo ritmo e as mesmas banalidades de outrora. Contudo, a pequena lembrança que o pai entregou à filha nos recorda do sofrimento que a distância traz consigo e dos laços afetivos que se quebram e transformam entes queridos em completos estranhos.

Na jornada de volta para casa, ninguém aguarda por Farrel: o herói encontra apenas fantasmas, como ele próprio, entre os habitantes da gélida Patagônia de Lisandro Alonso.

Veja a cobertura completa do Festival do Rio 2008


Publicado em 26 de September de 2008


Arquivado em: Blog


1 Commentário sobre 'Liverpool'

  1.  
    Marcia

    28 September, 2008| 3:15 pm


     

    Fiquei com a impressão de que não vimos o mesmo filme. Parece que você viu um filme francês com muito a dizer, mesmo este sendo argentino, enquanto eu senti a falta de um enredo que conduzisse a história. O filme é lento, tem planos longos (concordo) porém fastidiosos, a única emoção que tive foi sono.

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