The Visitor, de Tom McCarthy, 2007, EUA.

Walter Vale leciona a mesma aula há vinte anos, co-assina trabalhos de pesquisa dos quais não participa e escreve livro que nunca finaliza. Contra a vida tediosa que leva, tenta aprender piano, sem sucesso. Ao conhecer o imigrante sírio Tarek (por acaso, em Nova York, durante convenção na ONU), porém, transforma-se devido ao ritmo da percussão árabe que o novo amigo lhe ensina.
O Visitante está repleto de boas intenções, pois enfoca o contato com a alteridade e o multiculturalismo como forças necessárias para a América pós-11 de setembro, denuncia os abusos e as injustiças contra os imigrantes ilegais e celebra o valor da família e da amizade. Temas “relevantes” que, contudo, estruturam-se sobre clichês batidos: homem em crise de existência (com todos os signos que denotam insatisfação: silêncios, olhares perdidos, timidez, cacoetes físicos, rotina) que procura quebrar a monotonia com o inusitado, o personagem estranho ou estrangeiro (no filme, literalmente) que catalisa a transformação pessoal do herói, a sociedade conservadora que impõe diversos obstáculos ao protagonista. Obviedades que Tom McCarthy (de O Agente da Estação) reitera através de planos explícitos e grosseiros – homens com roupas tradicionais árabes contrapostos à bandeira americana no aeroporto, por exemplo.
Do casulo à borboleta, O Visitante desenvolte unicamente a jornada individual de Walter Vale, por mais que a projete no drama coletivo dos imigrantes e, por conseguinte, do próprio nascimento dos EUA como nação.

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