Para Macedonio, de Claudemyr Barata, 10 min, 2008
A última frase do conto O Imortal, de Jorge Luis Borges, em O Aleph diz:
Palavras, palavras deslocadas e mutiladas, palavras de outros,
foi a pobre esmola que lhe deixaram as horas e os séculos.
É de extrema importância para Para Macedonio perceber como o tempo e a imortalidade, ou a morte em si, são temas caros a Borges. No filme é exatamente isso, e com o grande apoio da linguagem cinematográfica, que será colocado na mesa.
Nos seus primeiros minutos intercalam-se imagens de arquivo, caseiras, de crianças brincando com imagens de cemitérios e um Borges que caminha a um túmulo, deixando uma flor. A diferença de textura entre o P&B digital destas imagens com o Super8 daquelas deixa no ar a sensação temporal de memória distante explícita na tela.
Em meio a discussões sobre a morte, as imagens das crianças ganham nova força, com novo significado adquirido, ganham também um novo poder narrativo. Em determinada passagem, quando as letras da legenda nos dizem que Borges propôs a Macedonio que se suicidassem, para poderem discutir sobre a morte em paz, as imagens de arquivo mostram as crianças brincando de mágicos, e uma delas desaparece e aparece e desaparece e aparece.
Apesar dos 10 minutos de duração, pouco se comparado à média dos filmes que o For Rainbow vem exibindo, os poucos e longos planos de Para Macedonio são carregados de significado. Não há excessos. O filme é limpo, conciso. E, ainda assim, consegue passar a forte e dolorosa mensagem de Borges e sua filosofia imortal.
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