Engano, 2008, Cavi Borges

Com dois planos sequência simultâneos, Engano, de Cavi Borges, tenta mostrar em 12 minutos a relação do imigrante com a metrópole Rio de Janeiro.
Em Engano, um homem e uma mulher conversam ao telefone. Ele ligou para avisar que chegaria atrasado em um teste. Ele é ator. Mas ele deve ter discado o número errado porque quem atende não sabe do que se trata. A interlocutora é uma atriz e, assim como ele, veio do Rio Grande do Sul para tentar a carreira no Rio. Ela também está indo para um teste e, da mesma forma, também está atrasada.
As coincidências vão se sobrepondo enquanto eles descobrem que conhecem pessoas próximas e que frequentavam lugares em comum. Como esperado, se afinam. Querem se conhecer.
Com a tela dividida em dois (e com os dois planos sequência rodados simultaneamente), Engano se aproxima muito do cult e até certo ponto desconhecido Time Code, de Mike Figgis - longa-metragem em que quatro planos sequência dividem a tela.
Engano é um curta-metragem bem realizado, com atuações que conseguem dar credibilidade a uma situação pouco comum, muito embora um tanto banal. Mas a questão mais relevante a ser colocada é porque deixar a técnica tão amostra em um filme que parece ser tão íntimo, que trata na verdade de dores e anseios muito peculiares aos personagens. Talvez ganhasse mais trabalhando de modo mais próximo ao convencional do que do modo apresentado.
Entretanto, é bem óbvio que as ações simultâneas também aproximam o espectador do modo que os próprios personagens encaram a metrópole.
Com Engano, Cavi Borges mostra que tem predileção pelo plano sequência. Em Sete Minutos, filme anterior, ele também lançou mão da estética sem cortes para contar os últimos sete minutos de um traficante.
![]()