O Rapto da Lua, 2008, de Vinícius Pereira e Fábio Escovedo.

Paródia ao cinema noir, de quem herda a iluminação carregada, o enredo policialiesco, a mulher fatal e os ambientes lúgubres do submundo, O Rapto da Lua - apesar do capricho técnico - baseia-se inteiramente em reviravoltas da narrativa. O filme aproveita os signos arquetípicos dos filmes policiais norte-americanos dos 40 e 50 para inscrevê-los na estética corrente, que privilegia truques de roteiro capazes de surpreender - ou melhor, de enganar - o público.
Importante ressaltar o mecanismo adjacente com que O Rapto da Lua tenta, ao invés de obter a cumplicidade do espectador, subjugá-lo: a fotografia. Quase monocromática (vermelha, azul, verde, amarela a cada plano) - como as viragens -, ela chama a atenção para si mesma como bela obra-de-arte, conquanto, dramaticamente, não possua relevância, dada a absoluta primazia do roteiro no filme.
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