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Miragem em Abismo



Elis Galvão

O curta Miragem em Abismo, lançado na quarta, 23 de julho, pelo cineasta Eryk Rocha e o poeta Geraldo Carneiro, na Casa de Cultura Laura Alvim, foi perfeitamente definido por uma das espectadoras que, sabiamente, não se deu ao trabalho de esperar pelo debate após a sessão: “Isso é que é uma câmera na mão e nem uma idéia na cabeça”.

O lançamento foi marcado pelo burburinho da imprensa na área aberta da Casa Laura Alvim, pelo atraso para iniciar a  sessão e pela sala do teatro lotada. Contudo, o filme é enfadonho. Durante 30 minutos são recitados 15 poemas de Geraldo Carneiro, as falas dos atores são ilustradas com imagens redundantes. Quando um deles fala a palavra “sol”, a câmera mostra o sol, quando recita um verso que remete ao mar, aparece uma praia, as redundâncias e repetições de imagem são sucessivas.

O recital de poesias, que estava previsto para  antes da exibição, só aconteceu no final. E, embora a atriz  Mariana Ximenes, que também compõe o elenco, tenha um rosto lindo, faltou voz para recitar alguns poemas no filme. Além dela formam o elenco: Camilla Amado, Ana Paula Pedro, Nilcemar Nogueira, Paulo César Pereio e Olivia Byington. Juntos, eles não conseguiram dar vida às poesias de Geraldo Carneiro.

A intensão do diretor e do poeta era tornar o Miragem em Abismo um kynematopoema, fusão da palavra grega kynematos (movimento, dança, movimento político) com a palavra latina poema. A adaptação não funcionou , mesmo com todo movimento da câmera na mão. Mais uma vez, outra pérola da espectadora mencionada é certeira: “O cinema não é poesia. A poesia não é cinema.” Mas esta já é outra discussão.


Publicado em 24 de July de 2008


Arquivado em: Blog


3 Commentários sobre 'Miragem em Abismo'

  1.  
    naomi

    24 July, 2008| 11:08 pm


     

    pois é, sobrenome não é solução, já dizia a minha avó!já basta ter que aguentar bressane por aí….

  2.  
    sandra

    25 July, 2008| 4:53 pm


     

    Não concordo com a opinião sobre a Mariana Ximenes. Achei a suavidade dela em total sintonia com os poemas, gostei bastante. Já a Camilla Amado, que é magnífica, foi mal aproveitada no filme. Já as outras duas atrizes eu achei que foram mal escaladas. Pareciam não ter intimidade com o texto poético, embora a Nilcemar tenha feito até uma leitura interessante.
    Ah, e não foram 15 poemas. Foram 14. O poema ‘a sombra’ foi cortado (era uma cena minha do filme e não foi aproveitada).

  3.  
    Elis Galvão

    31 July, 2008| 11:24 am


     

    Sandra, registrei 15 poemas porque eles constavam nos créditos finais do filme.
    Obrigada por comentar o post.

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