La Vita Nuova, de Arnaud Demuynck e Christophe Gautry.
Peters Prinzip, de Kathrin Albers e Jim Lacy.
Kodomo No Keijijogaku, de Koji Yamamura.
The Bellringer, de Dustin Rees.
Monkey Joy, de Amir Admoni.
Things You Think – Love, de Karsten Kiilerich.
Look Around, de Lee Kyu-Tae.
Al Dente, de Jean-François Barthelemy, Maël Francois e Carlos Felipe Leon Ortiz.
Oktapodi, de Julien Bocabeille, François Xavier Chanioux, Olivier Delabarre, Thierry Marchand, Quentin Marmier e Emud Mokhberi.
La Vita Nuova se baseia na estética simbolista do final do século XIX. A história do poeta que morre pela amada e musa está impregnada do spleen baudelairiano: amor não-correspondido que leva o artista a refletir sobre os próprios sentimentos (brutal introversão que gera o discurso indireto livre, presente no filme através do voice over do herói), clima noturno, diálogo com forças sobrenaturais. Roteiro primoroso de Arnaud Demuyinck.
Em Peters Prinzip, de Kathrin Albers e Jim Lacy tentam, sem sucesso, provocar riso com a tese de que trabalhadores preguiçosos ascendem mais nas empresas, ao passo que em Things You Think – Love, de Karsten Kiilerich dá voz às múltiplas opiniões de crianças sobre o amor. Já Al Dente, parodiando as óperas, mostra cozinheiro-tenor que adora meninos e meninas no prato principal.
Monkey Joy retrata ps efeitos nocivos da publicidade sobre os consumidores (a compra maciça do produto-símbolo da empresa gera o caos na cidade), enquanto Look Around, por meio do caçador obcecado que se esquece do lar e da família, fala da importância vital, para o homem e para a sociedade, dos acontecimentos banais do cotidiano. Oktapodi, por sua vez, conta a saga de dois polvos apaixonados que fogem do serviço de entrega em domicílio para não se transformarem em refeições.
As semelhanças entre The Bellringer, de Dustin Rees, e o cinema de Michael Dudok De Wit (sobretudo Tom Sweep e O Monge e o Peixe) impressionam: concisão dramática, limpidez e simplicidade nos traços, nas cores e no som, humor leve e melancólico. Com The Bellringer, o diretor realiza estudo sobre o poder da narrativa, uma vez que os badalos na torre determinam as relações que os personagens mantêm na base. De sujeito da enunciação, o pequeno monge se torna sujeito do enunciado, na medida em que abandona seu posto de observador (parcial, contudo, visto que ele toca o sino) a fim de interagir com as micro-histórias que ocorrem ao pé da igreja.
Por fim, em Kodomo No Keijijogaku, Koji Yamamura se detém nas expressões infantis, representando as mudanças nos rostos das crianças com extrema originalidade. Imagens surreais e absurdas – transfigurações impossíveis da face humana – nascem para trazer à superfície os mais profundos e recônditos sentimentos.

Veja a cobertura completa do Anima Mundi 2008.