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Anima Mundi – Curtas 4


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Publicado em 13 de Julho de 2008

I Am Bigger and Better, de Martin Duda.
Immeasurable, de Gergely Cziraki.
La Maison en Petits Cubes, de Kunio Kato.
Kleit, de Jelena Girlin e MariLiis Bassovskaja.
Bolides, de François-Xavier Bologna, Théophile Bondoux, Lyonel Charmette e Vincent Le Ster.
Key Lime Pie, de Trevor Jimenez.
Voodoo, de Romain Baudy, Ludovic Bouancheau, Liane Cho Han, Yann Le Gall, Marietta Ren e Sebastien Wojda.

Key Lime Pie homenageia o cinema noir, no encontro do homem fanático por torta de limão com a morte – traços duros e angulosos, ausência de cores, sombras proeminentes e a narração em off do protagonista -, enquanto Voodoo parodia os filmes de aventura hollywoodianos, com personagem que evoca Indiana Jones em versão efeminada.

I Am Bigger and Better une, em Cinemascope, live action e computação gráfica. Na cidade de Praga futurista que lembra Minority Report, diretor teatral em crise escala robô para sua nova peça, contrariando o amigo (e ator) de longa data, para quem havia escrito o papel. Em meio à tecnologia que desumaniza, ao mesmo tempo em que o andróide consegue a liberdade para começar sua própria vida, os velhos companheiros se reaproximam quando o autor está prestes a se suicidar.

Kleist, dedicado a Maria Antonieta, mostra em detalhes os preparativos e os efeitos (o corpo em decomposição) da morte da rainha francesa pela guilhotina. Já Immeasurable se detém sobre os mistérios da criação artística: a arte como processo, que não requer e não possui explicações.

Em Les Bolides, dois idosos competem para ver quem é o mais rápido pelos corredores do asilo. Humor negro e nonsense em que, com doses de surrealismo, as cadeiras de rodas se transformam nos veículos mais inusitados e absurdos possíveis. A virulência da última cena – quando ambos terminam no carro funerário – mostra-se digna da trupe inglesa Monty Python.

Por fim, La Maison en Petits Cubes, forte concorrente a melhor curta-metragem do Anima Mundi 2008. Através da história do ancião que, em busca do cachimbo, mergulha cada vez mais fundo nos andares de baixo de sua casa  (já tomados pela água, que não pára de subir), Kunio Kato desenvolve belíssima ode ao passado e às memórias afetivas. O herói vasculha as próprias lembranças, dolorosas ou alegres – as brincadeiras da infância com a futura mulher, a construção da casa, os jantares regados a vinho, o casamento da filha, a morte da esposa -, a fim de recuperar a vida em família que se perdeu no tempo. Contra a solidão da velhice, o amor aos entes queridos que se foram.

Veja a cobertura completa do Anima Mundi 2008

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