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Anima Mundi – Curtas 13


Por Paulo Ricardo de Almeida

Publicado em 12 de Julho de 2008

S.I.T.E., de Pablo Orlowsky.
Animadores, de Allan Sieber.
Cook, Mug, Cook!, de Jirí Barta.
Casa de Máquinas, de Maria Leite e Daniel Herthel.
Monsieur Cok, de Franck Dion.
De Zwemles, de Danny de Vent.
Dji Vou Veu Volti, de Benoit Feroumont.

Em S.I.T.E., a câmera simula ponto-de-vista documental que registra misteriosos acontecimentos na frente de batalha – como se o arquivo da missão, após perdido, reaparecesse. O filme, contudo, naufraga dramaticamente, uma vez que não cria suspense ou emoção com a 1a. pessoa do discurso narrativo.

Depois do ótimo Santa de Casa, Allan Sieber retorna ao Anima Mundi com Animadores, que mostra tanto o cotidiano miserável e fracassado dos animadores de festas infantis, quanto a inerente crueldade do homem para com seu semelhante. Embora o cineasta mantenha o humor ferino no retrato dos tipos urbanos – patrão estressado, crianças insuportáveis, mulheres sacanas -, ele sucumbe ao gosto de humilhar e de maltratar os personagens.

Através de elaborado visual 3D (e de citação a Diderot e d’Alembert), Casa de Máquinas desvenda as entranhas de parafernalha automática que põe bailarina para dançar: a mecanização do gesto, a ausência do sentimento, a morte da alma. Já Monsieur Cok se passa durante a 1a. Guerra Mundial a fim de denunciar o círculo vicioso do capital – dicotomia entre empresário e operário, o primeiro como figura maléfica que tudo destrói pelo lucro.

Dji Vou Veu Volti repete incessantemente a mesma canção (que intitula o curta-metragem, e significa “eu te amo”) para contar a saga de Romeu e Julieta. O herói apaixonado se declara à amada sob o balcão, mas enfrenta as próprias legendas do filme, que se rebelam. Franck Dion desenha personagens clássicos em digital, mas surpreende com a originalidade da narrativa.

O diretor holandês Danny de Vent coloca De Zwemles sob o ponto-de-vista da criança com medo de nadar na piscina. A seu lado, constatamos de início os perigos de um ambiente em aparência seguro, e depois nos maravilhamos com as descobertas que o olhar inocente do garoto é capaz de proporcionar. De Zwemles remete ao universo de Jacques Tati, à capacidade ímpar de extrair o novo de objeto e de situações comuns. Trata-se do rito de passagem em que o pequeno herói, ao deixar a piscina sozinho para se encontrar com a mãe, derrota seus piores temores.

Por fim, Cook, Mug, Cook!, volta de Jirí Barta após quase 20 anos de ausência – e sua primeira incursão no cinema digital. Barta, ao lado de Jan Svankmajer, é o principal nome da tradicionalíssima animação tcheca, e não filmava desde a queda do socialismo, devido à falta de verba. No brilhante Cook, Mug, Cook!, o cineasta revela o microcosmo que existe dentro de casinha em que se dá corda, onde inúmeros personagens, em ações mecânicas e cotidianas, cruzam-se com precisão absoluta. Não há cenários, apenas figuras humanas e objetos que, sem as referências para se perspectivarem, variam de tamanho conforme os encontros acontecem. O ritmo dos personagens acelera a cada novo encordoamento, com ínfimas e quase imperceptíveis evoluções no tempo (a máquina de escrever se transforma em laptop, por exemplo), até que pequeno erro – deido ao aumento da velocidade – leva ao caos e à catástrofe. Com muito humor negro, Jirí Barta encena a Lei da Termodinâmica: de que qualquer sistema fechado está fadado à entropia, ou seja, à sua própria destruição.

Veja a cobertura completa do Anima Mundi 2008.

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