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Anima Mundi - Curtas 12



Paulo Ricardo de Almeida

Fear, de Agustin Graham.
Replay, de Boumediane, Delmeule, Voisin e Felicite-Zulma.
Plastic People, de Pavel Koutský.
Mahi, de Mahmoud Fakhrinejad.
La Tête dans les Flocons, de Bruno Collet.
Unpredictable Behaviour, de Ernst Weber e Pasha Shapiro.
Cânone para 3 Mulheres, de Carlos Eduardo Nogueira.
How to Hook Up Your Home Theater, de Kevin Deters e Stevie Wermers-Skelton.

Plastic People lembra (visualmente inclusive) os filmes de Bill Plympton: com humor nigérrimo, Pavel Koutský satiriza as cirurgias plásticas, símbolos máximos do consumismo desenfreado. Mulheres se submetem à linha de montagem em busca do mesmo padrão estético - magreza, cabelos loiros, seios fartos. Ao invés da eterna juventude, a beleza descartável que se transforma em circo de horrores.

How to Hook Up Your Home Theater agrada em cheio aos saudosistas, já que revive a série Disney em que Pateta, acompanhado pelo narrador em off, ironiza aspectos do dia-a-dia norte-americano (por exemplo, o clássico desenho em que o pacato transeunte vira se torna monstro ao volante). Nesta atualização, Pateta compra enorme TV digital - e outras siglas inúteis -, com todo o ridículo que o “maravilhoso novo mundo” da tecnologia de ponto tem a lhe oferecer.

La Tête das les Flocons parodia “A Corrida Maluca” e seu personagem mais famoso, Dick Vigarista, utilizando bonecos reais de esquiadores, enquanto Mahi, animação tradicional, detém-se no ponto-de-vista subjetivo do peixe: quando foge dos predadores no mar até ser capturado pelo homem. Já Unpredictable Behaviour lida com o conflito entre criador e criatura, visto que Sherlock Holmes (o qual se desvitua ao refletir sobre a natureza hedionda do crime) não passa de andróide fabricado por Watson.

Em Cânone para 3 Mulheres, as situações se repetem, no compasso onipresente da música, com personagens digitais em cores berrantes sobre fundo preto - coreografia maçante que aniquila a sensualidade feminina (premissa arquetípica das pornochanchadas: trabalhadoras que se transformam em objetos sexuais). Fear, por sua vez, com imagens que remetem aos mangás e às produções de terror adolescentes, que o ódio edifica o mundo, enquanto o medo o faz desaparecer.

Por fim, Replay mostra a conseqüência trágica do choque entre o passado que o garoto idealiza e o presente pós-apocalíptico em que ele vive.

Veja a cobertura completa do Anima Mundi 2008.


Publicado em 12 de July de 2008


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