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Festival Cinesul 2008



Elis Galvão

Cinesul

 

Até o dia 29 de maio a entrara é gratuita para assistir as produções recentes de filmes de países latinos, Portugal e Espanha. A 15ª edição do Cinesul – Festival Ibero-Americano de Cinema e Vídeo, que começou no dia 18, é a boa pedida do final de semana. São 240 filmes na programação, 80 em competição e cerca de 160 exibidos em mostras paralelas. As exibições acontecem no Centro Cultural Banco do Brasil, Centro Cultural Correios, Casa França-Brasil, Cinemateca do MAM e Ponto Cine, em Guadalupe. Os cinéfilos não devem esquecer que as senhas de entrada são distribuídas com meia-hora de antecedência.

Nas mostras paralelas destacam-se Panorama Brasil (longas de documentário e de ficção nacionais), Brasil Real (documentários em curta, média e longa-metragem), Foco Espanha (trabalhos do País Basco e das Ilhas Canárias), Bossas Musicais (filmes sobre música ou músicos), Bolívia, um país em transe (produções que retratam os conflitos nos últimos anos do governo Evo Morales), Palcos e Telas (filmes sobre cineastas e teatrólogos), Cinesul Animado (Curta-metragens de animação para o público infantil, juvenil e adulto), além de específicas das escolas de cinema de Madri, de Cuba (Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños) e Buenos Aires (ENERC - Escuela Nacional de Experimentación y Realización Cinematográfica).

O organizador do Cinesul, Leonardo Gavina, revela que a comissão de seleção teve muito trabalho este ano, não só por conta do maior número de produções, como também pela qualidade dos trabalhos inscritos. “Foram decisões difíceis de tomar. Tenho certeza de que o público vai apreciar muito a programação”, disse Gavina.

O Cinesul busca consolidar um espaço de exibição, difusão e premiação da produção audiovisual de ficção e documental realizada em países ibero-americanos, além de apresentar programas específicos de cinematografias pouco divulgadas e homenagear cineastas consagrados. A programação do evento inclui também a promoção de encontros, seminários e oficinas; além de possibilitar o intercâmbio entre produtores, distribuidores e exibidores, e aproximar os criadores de seu público.

Em homenagem aos 40 anos dos festivais Viña del Mar, em 1967, e de Mérida, em 1968, marcos do nascimento Novo Cinema Latino-americano, é realizado o I Seminário e Fórum do Documentário Latino-Americano. Estarão presentes documentaristas de toda a América Latina que participarão de mesas de debates sobre a produção do gênero no continente. Entre os brasileiros: Eduardo Coutinho, Wladimir Carvalho, João Batista de Andrade, Evaldo Mocarzel, Silvio Tendler, Silvio Da Rin, Erik Rocha, Orlando Senna, entre outros. O evento acontece de 24 a 28 de junho, na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM).

Brasil e Argentina

Os homenageados dessa edição são dois dos mais representativos cineastas sul-americanos da segunda metade do século XX e pouco conhecidos das gerações mais novas: o argentino Leopoldo Torre-Nilson e o brasileiro Olney São Paulo. Torre-Nilson foi diretor de, entre outros, Boquitas Pintadas, La Casa del Ángel e Martín Fierro. Já Olney São Paulo, dirigiu O Grito da Terra, Manhã Cinzenta, O Pinto vem aí, entre outros. O Festival relembra suas carreiras no ano do 30º aniversário da morte de ambos os diretores, que tiveram suas trajetórias marcadas por agressões sofridas pelos regimes autoritários em seus países. Os dois ganham mostras com seus principais trabalhos e uma exposição de fotos na Cinemateca do MAM, com entrada franca.

Música no Cinema

Dentro da programação do Festival, haverá ainda no dia 23, às 14h30, na Cinemateca do MAM. , o encontro A Música e a Imagem no Cinema. O evento reúne os consagrados compositores de trilhas sonoras David Tygel e José Luis Castiñera de Dios. Além de ex-integrante do grupo vocal Boca Livre, o brasileiro Tygel já compôs trilhas sonoras para o teatro e o cinema, onde conquistou quatro Kikitos em Gramado pelas músicas de O homem da capa preta, Doida demais, Quem matou Pixote e For all, trampolim para a vitória. Já Castiñera é o diretor de Manuel de Falla, filme de abertura do Cinesul. Em quatro décadas de trabalho como compositor, o argentino conquistou o prêmio César, em 1985, por Tango, el exílio de Gardel, e o prêmio Condor, concedido pela Asociación de Cronistas de La Argentina, em 2006.

Confira a programação aqui.


Publicado em 20 de June de 2008


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