
Memórias Cinematográficas de Machado de Assis é uma ode a este cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, que nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. O autor, que rompeu barreiras para além de sua época, terá mostra de filmes, adaptados da literatura, voltada para sua memória. O evento é gratuito e acontece de 10 a 22 de junho, na Caixa Cultural, no Rio. A mostra pretende estimular uma reflexão sobre essa adaptação literária e consiste na exibição de 21 filmes (13 longas e oito curtas), além de uma mesa de debate, uma pré-estréia e uma palestra. Confira a listagem abaixo.A primeira vez que um conto de Machado foi adaptado para o cinema foi em 1937, quando o Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE), dirigido por Roquette-Pinto, filmou a peça A Agulha e a Linha, adaptada do conto Um apólogo. O filme, no entanto, se perdeu. O INCE fez ainda um segundo filme de ficção, baseado no mesmo conto e dirigido por Humberto Mauro considerado por Glaber Rocha um dos pais do cinema brasileiro.
Em 1968, Paulo Cesar Saraceni, um já consagrado diretor do Cinema Novo, com filmes como Porto das Caixas e O desafio, lança Capitu, adaptação do romance Dom Casmurro. No mesmo ano, o Cinema Marginal também apresenta sua primeira obra que bebe na fonte de Machado de Assis: Viagem ao fim do mundo, de Fernando Coni Campos.
A partir daí, o Cinema Novo, o Cinema Marginal, e um cinema mais popular se debruçaram outras vezes sobre a obra de Machado. Em algumas filmes foram feitas adaptações mais diretas, conservando a época do livro e sua estrutura (Memórias póstumas, 2001, de André Klotzel), outros partem de uma trama que será livremente recriada e atualizada (A causa secreta, 1994, e Quanto vale ou é por quilo?, 2005, ambos de Sergio Bianchi), outros mantém os valores originais e atualizam a época (Quincas Borba, 1987, de Roberto Santos; A Cartomante, 1974, de Marcos Farias) etc.
Encontro com cineastas

No dia 17 de junho, após sessão das 18h, haverá debate com a participação de Paulo Cesar Saraceni e Haroldo Marinho Barbosa. Eles discutirão o interesse dos cineastas pela obra de Machado e os procedimentos tomados na adaptação dos textos para a tela. As adaptações de Saraceni (Capitu) e Barbosa (O demoninho de olhos pretos) distam quarentas anos – o que mudou no cinema e no entendimento de Machado de Assis pelos cineastas, nessas últimas quatro décadas?No dia 20 de junho, após a sessão de 18h, Brás Cubas, de Julio Bressane, haverá palestra com o crítico José Carlos Avellar, autor de O chão da palavra: cinema e literatura no Brasil. Este discutirá os meandros da criação literária e os impasses da criação cinematográfica quando confrontados na fértil relação de complementaridade que só findará quando o último filme for rodado e o último livro impresso.Programação
Pré-estréia
17/06, às 18h - O demoninho de olhos pretos (2008), de Haroldo Marinho Barbosa. Após a sessão, será realizado o debate com Haroldo Marinho e Paulo Cesar Saraceni.
Longas
- Vendaval Maravilhoso (1948), de Leitão de Barros
- Capitu (1968), de P.C. Saraceni
- Viagem ao fim do mundo (1968), de Fernando Campos
- A Cartomante (1974), de Marcos Farias
- Confissões de uma viúva moça (1975), de Adnor Pitanga
- Brás Cubas (1985), de Julio Bressane
- Quincas Borba (1987), de Roberto Santos
- A Causa Secreta (1994), de Sergio Bianchi
- Memórias Póstumas (2001), de André Klotzel
- Dom” (2003), de Moacyr Góes
- A Cartomante (2004), de Wagner Assis e Pablo Uranga
- Quanto vale ou é por quilo?” (2005), de Sergio Bianchi
- O demoninho dos olhos pretos (2008), de Haroldo Marinho Barbosa
Curtas
- Um apólogo: Machado de Assis (1939), de Humberto Mauro
- Missa do Galo (1973), de Roman Stulbach
- A Cartomante (1984), de Alexander Vancellote
- O enfermeiro (1998), de Mauro Farias
- Machado de Assis, alma curiosa de perfeição (1999), de Maria Maia
- A Cartomante (2000), de Cláudio Costa Val
- Uma cartada de morte (2001), de Afonso Bernarde
- Hoje tem felicidade (2005), de Lisiane Cohen
Serviço:
Memórias Cinematográficas de Machado de Assis
10 a 22 de junho
Caixa Cultural (RJ)/Cinemas 1 e 2
(Av. Almirante Barroso, 25 - Centro – RJ)
Tel.: 21 2544.4080
Entrada franca
23 June, 2008| 7:40 pm
o bruxo do cosme velho continua dando panos pra manga no cinema e teatro e onde tiver q ser será o grande machado de assis
12 November, 2008| 2:01 pm
Olá,
Interessante a matéria. A boa notícia é que O Demoninho de Olhos Pretos vai estrear no dia 28 de novembro. É uma boa pedida para quem ainda não pôde assistir ao grande retorno a direção de Haroldo Marinho Barbosa (Baixo Gávea).
12 November, 2008| 2:46 pm
Luiz,
Obrigada pela dica.
Abraço,