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Oxigênio


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Publicado em 2 de Junho de 2008

A atriz Renata Mizrahi. Foto: Thaís GrechiSonhos são como oxigênio no coração do artista. São eles que nos fazem acordar todos os dias com alguma coisa dentro da gente pulsando, nos dizendo: “Vai em frente, não desista.”
Talvez por isso continuo caminhando e construindo uma história de artista, assim, com altos e baixos. Não que uma pessoa que não seja artista não possua altos e baixos, mas aqui, nesse caso, altos e baixos significam: Com dinheiro ou sem dinheiro.

Sou uma atriz de 28 anos formada em artes-cênicas na Uni-Rio. Há uns três anos venho realizando (e me realizando) trabalhos como autora também. Aliás, se antes eu dizia que sou uma atriz que escreve, hoje eu digo que sou uma autora que atuo. Escrever tem sido um caminho que tem me completado de muitas formas. Além disso dou aulas de teatro para crianças, adolescentes e adultos, e dirijo peças de final de ano etc…

Muita gente me pergunta: “Por que não faz um concurso público?” E eu mesma me pergunto: “Por que não faço um concurso público?”. “Por que não tento dar aulas no Estado ou na Prefeitura?” E na hora me vem uma resposta, ou melhor, uma pergunta: “Isso me fará feliz?” “Não me desviaria daquilo que quero pra mim?” E na hora vem outra resposta, ou melhor, pergunta: “Mas e o dinheiro no final do mês?” E na hora me vem outra resposta, ou melhor, pergunta: “Mas se eu amo tanto o que faço, o dinheiro não será uma conseqüência?”

Há sete anos com “autos e baixos” eu venho me sustentando com o que faço: escrevendo, atuando, dando aulas, produzindo, dirigindo… vou me realizando e mantendo o meu oxigênio, meu sonho…. Romantismo?

Acredito que cada um tem um caminho para o sucesso, uns mais curtos outros mais longos. O importante é não se comparar com os outros, não se deixar levar pelo caminho do outro. O outro é o outro, nunca será eu, então eu tenho que fortalecer aquilo que me completa e me faz acreditar que sou um indivíduo importante para o mundo, pois o que eu faço me faz me sentir assim.

Aí me perguntam a velha pergunta: E a globo, e a televisão?

É fato que isso ajuda e influencia muito. Acredito que se eu fosse uma atriz global, minhas peças não seriam patrocinadas pelo bolso da minha cia (Teatro de Nós) ou pelo meu bolso num projeto pessoal.. Mas e aí? O que faço? A resposta é clara.: exercício. Faço o que gosto com consciência, sabendo que tenho que me aprimorar cada vez mais. Vejo a cada dia, o quanto ainda tenho que aprender, e nesse ponto é importante receber bem a experiência dos outros e entender que sempre estamos nos aprimorando.

E como se conquista um espaço? Essa é uma resposta certeira: Trabalhando.

Desde 2005 venho conquistado muito espaço através da minha cia de teatro, no qual já realizamos 4 peças escritas por mim, com dinheiro do nosso bolso. Muitas novas cias precisam fazer até se estabelecerem. Mesmo assim isso não garante nada, mas o fato que conseguimos estrear em ótimos teatros do Rio de Janeiro. Foi numa dessas peças que me viram (Sim! Um produtor de elenco da Globo). Chamaram para uma participação na novela das 21hs. Pensei: “Puxa, é muito bom trabalhar pelo teatro, a minha praia, e ser vista. Esse pode ser um caminho. Mais longo sim, mas e aí? Vamos lá.”

E acreditem, tem muita gente que pensa como eu, e que vive de teatro e pelo teatro, e de repente estão lá na TV. Ou seja, nem sempre “nadar contra a corrente” te deixa no mesmo lugar, ao contrário, faz a gente estar sempre em movimento.

Podem me chamar romântica ou o que for. Eu adoro ser artista, viver como uma artista, observando as pessoas, escrevendo, atuando, operando o som e tudo mais que a minha profissão possa me oferecer. Faço aquilo que me deixa completa, que me faz respirar!

Não, não é fácil. Mas é essa dificuldade que faz da gente muito feliz quando a superamos e realizamos nosso ofício.

Bem, acho que é isso.

Alguns me acham louca. Outros de corajosa. Então eu digo: Adoro ser louca e tenho medo pra cara… Mas sou louca do bem e por causa do medo, eu trabalho!

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Renata Mizrahi escreveu este texto a convite da Revista Moviola. Semanalmente ela escreve para o site Drama Diário.



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