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O parto do tempo


Por Josimey Costa

Publicado em 2 de Junho de 2008

O parto do tempo

Uma vez eu quis beber o céu,
Mastigar meteoros e engolir estrelas
E por mais que quisesse
Por muito de espaço que abrisse
Permaneço escura por dentro,
Feita silêncio ante o vácuo.
Desta vez eu sei: não se bebe luz.
Mas cada tempo que mingua,
Pare outro enquanto cessa.
Se algo há de brilhar em mim,
Sejam universos que habito
E cintilo no espelho da pele
Como se dentro houvesse galáxias…


Poema onírico

O despertador indiscreto
Metralha música em meu ouvido.
O chuveiro elétrico molha o sono,
A louça tilinta na pia,
Os carros compactam o asfalto.
O trabalho, as horas, as contas,
A escola, a feira, o cansaço…
Minha imagem segue,
Meu duplo faz.
Eu, em convulsão, contemplo.
Já entregue, amolecida,
Vivo em paralelo
Um amor, este poema,
A beleza da garoa sobre o rio
Quando a lua nem sequer
Lembra de mim.

tracejado.jpg

Josimey Costa é jornalista, escritora, ensaísta, videomaker e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É autora do ensaio Escritura lavrada em pauta e alinhavos de fé, no livro Jornalismo e literatura: a sedução da palavra, e co-organizou a obra Complexidade à flor da pele: ensaios sobre ciência, cultura e comunicação.

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6 Commentários sobre 'O parto do tempo'

  1.  
    ana claudia matos

    9 Junho, 2008| 12:36 am


     

    Parabéns!!! Lindos poemas, fragmentos de sentimentos…à flor da pele.
    A lua se lembra sim; tanto que lhe inspira…cintila e ilumina dentro de você.
    Um cheiro,
    AC

  2.  
    Marilia Estevão

    9 Junho, 2008| 9:13 am


     

    Bem legal o blog, Josy. Mas gostei mesmo das suas poesias. Minha relaçao com o cosmo nunca chegou a ser tão… digamos…antropogágica.
    Mas…
    Eu já quis abraçar o universo
    com meus pobres braços.
    Cada pedaço dele foi escorregando…
    caindo…
    se perdendo no caminho
    que nem compra de supermercado em saco furado.
    Dei sorte de ter ficado com um pouquinho dele – na verdade,
    o que me cabia,
    o que eu merecia.
    O que não fugiu do meu abraço,
    é hoje onde eu me reconheço.
    É como recomeço todos os dias.
    É o meu regaço.

    Beijos,

    Marilia.

  3.  
    Marilia Estevão

    9 Junho, 2008| 9:15 am


     

    Ei, quis dizer antropofágica (meus dedos são um pouco gagos).

  4.  
    Rejane Guedes

    9 Junho, 2008| 10:56 pm


     

    Intenso e profundo são as palavras que chegaram ao meu pensamento quando li o primeiro poema.Tão denso e ao mesmo tempo tão leve. Me fez voar e me embriagar com estrelas luminosas.
    No segundo irresistevelmente identifiquei-me . Sempre apressada, sempre habitando 2 universos [ Um das coisas comuns, o outro das relações complexas que compõem minha essência] . Mas acho que a lua sempre lembra de nós , tremendas sonhadoras. Infelizmente é a nossa pressa que não percebe essa lembrança.

  5.  
    Adrielle, (mais conhecida como "A Sobrinha")

    9 Junho, 2008| 11:37 pm


     

    Quando eu crescer quero ser igual a ela!!!

  6.  
    Andréa Brenha

    3 Janeiro, 2009| 9:06 pm


     

    Não sabia de mais esse dote da professora, mas que lindos versos!

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