
SNIP, de Julien Zenier, 11 min, 2008
Falar do processo de saturação de imagens no nosso século, como prevê a sinopse de SNIP, já foi algo novo. A reação de muitos artistas à essa avalanche muitas vezes passa pelo exagero vigoroso do choque, afinal, sempre há algo que ainda consiga chocar, sempre há alguma maneira de sair do marasmo de bombardeios imagéticos e parar para assistir algo lento e muito mais impressionante.
Em SNIP o protagonista, cansado do bombardeio visual da televisão (puxa… quantas vezes já se viu o tema “bombardeio de imagens da televisão”?), resolve gravar algo ainda mais alucinante: em frente a uma câmera, saca um estilete e começa a arrancar pedaços de sua pele, vagarosamente. O ritual, claro, é asqueroso. Arranca arrepios da platéia como O Cão Andaluz de Buñuel e Dali devia fazer nos idos anos 30. Sim, são 10 minutos de pura tortura.
Não que isso traga alguma mensagem profunda. Há aliás, uma busca do arte moderna e contemporânea em atravessar essas fronteiras do asco. Nos EUA, Aliza Shvarts resolveu fazer algo de motivo parecido. Durante 9 meses, a moça se inseminou diversas vezes e interrompeu todas as suas gestações propositalmente. A série de abortos, seja ela uma farsa ou não, resume o sentimento mais puro de um tipo de arte que se soluciona na aversão. Não é o trabalho em si o objetivo final, mas sim a discussão que ele gera, o debate que inicia.
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