
Os Olhos de Edward James, de Rodrigo Gudio, 15 min, 2006
Os tradicionais filmes de terro, daqueles que seguram notas agudas até o momento do susto, sempre têm um lado “mulecão”, daqueles que gosta de “pregar sustinhos” nos amigos e se diverte horrores com isso. No cinema esse tipo de efeito normalmente banaliza o filme, o torna apenas um apanhado de sustos, e nada mais. Os Olhos de Edward James não chega nem perto desse erro.
A narrativa é em ponto de vista. Edward está numa sessão de hipnose. As vozes dele se misturam com a de seu médico. O som do “sonho” de Edward também está presente. Ele tenta lembrar-se da noite onde sua esposa foi assassinada. Lentamente, a voz do médico vai induzindo o paciente a andar pela casa e procurar o possível assassino, ou ao menos tentar lembrar na sua o que foi que o trauma apagou de sua memória. Edward por várias vezes diz que está com medo, fica ansioso. O médico pede para ele parar e recomeçar a contar a história. Por vezes, pede até para que ele volte um pouco. O filme acompanha esses passos, claro. O ponto de vista (em plano sequência), é cortado para uma tela preta enquanto o médico fala, e depois volta para o ponto onde ele pede que Edward recomece a narrar o que vê. Assim, com um incrível trabalho de roteiro, somos obrigados a entrar na cabeça de Edward James e compartilhar o seu horror.
É, portanto, longe do mero susto que o filme de Rodrigo Gudio passa. Acerta em crer que um filme de terror é mais que o susto, mas sim o horror pleno de quem não consegue mais manter seus sentidos no lugar. Ao fim, a constatação de que a mente humana é muito mais labiríntica do que se imagina.
Veja a cobertura completa do RioFan 2008