Pueril, de Jean Pierre Dominguês e Fernando Faria Freitas, 12 min, 2007
Passado no que parece ser uma creche, Pueril se aproveita da desinibição das crianças que lhe servem de personagens para registrar pequenos flagrantes, momentos que de alguma forma revelem uma face da infância. No fundo, o filme não passa de uma compilação de todos esses momentos, que ganham destaque individualmente: passamos de uma sessão de teatro de fantoches a uma refeição, para em seguida irmos a uma brincadeira ou a uma discussão por uma bola jogada por cima do muro. Tudo observado por uma câmera que na maior parte do tempo parece ser invisível (à exceção de uma ou outra cena em que um menino interage com ela), talvez porque as crianças ali presentes ainda ignorem seu impacto e sua dimensão em nossa sociedade – a importância da imagem e todas as conseqüências de se estar sendo filmado.
A direção do filme se entrega então a uma apreciação daquele universo, à medida que a montagem evolui o que, supomos (tudo é suposto, pois, praticamente nenhuma informação sobre o local é dada), é o passar de um dia. A câmera é baixa em boa parte do filme, não há quase plongées, o que de alguma forma denota um desejo de encarar aquelas figuras frente a frente. Assim, o filme se arquiteta em favor da contemplação: o banal torna-se algo digno de registro, e o registro, em contrapartida, dá ao banal uma dimensão espetacular; é o efeito do cinema, capaz de notabilizar os gestos mais comuns.
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