
Eu sou como o polvo, de Sávio Leite, 4 min, 2006
Sávio Leite, animador e confesso admirador de Lourenço Mutarelli, é o realizador deste pequeno e belíssimo Eu sou como o polvo.
O curta, a exemplo do clássico O Mistério de Picasso, de Henri-Georges Clouzot, enquadra Lourenço Mutarelli sob uma mesa de vidro e observa o criador desenhando. São desenhos grotescos, auto-caricaturas de pouca compaixão.
Em off, um texto do próprio Mutarelli, poético e autodestrutivo. No texto ele fala sobre sua aceitação no mundo, que veio apenas a partir de seus desenhos; sua infância e juventude complicadas. Nos auto-retratos do filme, vê-se um artista com pernas a sair dos ouvidos, uma mutação, uma auto-apreciação.
Observar de perto a criação de um desenhista é como o desnudar. É surpreender o outro sem roupas ao sair do chuveiro. Não é à toa que Sávio Leite colocou o próprio Mutarelli para falar tão francamente de si. Em Eu sou como o polvo, o desenhista se desnuda em arte e em vida.
Lourenço Mutarelli é quadrinista, mas ganhou mais notoriedade após Heitor Dhalia adaptar para cinema o seu romance de estréia, O Cheiro do Ralo. Mutarelli já havia trabalhado com Dhalia em Nina, traçando os desenhos que a personagem central criava.