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Eisenstein


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Publicado em 3 de Março de 2008

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Eisenstein, de Leonardo Lacca, Raul Luna e Tião, 19 min, 2006

É com muito atraso que este texto é publicado aqui na Revista Moviola. Mas não foi desleixo do redator, é que não é nada fácil falar sobre este Eisenstein. O problema não é só o seu roteiro extremamente aberto ou suas referências que vão do cinema soviético aos sitcoms. O problema é que ele é um filme inacabado.

Daí surgem as reações de amor e ódio ao curta-metragem dos pernambucanos Leonardo Lacca, Raul Luna e Tião. E por “inacabado”, entenda-se um filme que não se fecha em si, que apenas dá pinceladas em torno do tema. Ele esboça e quando acha-se que está tudo pronto, tudo em vias de… o filme se dilui.

Eisenstein é a história de Ivan (interpretado por Tião), um cara fã do cineasta russo. Um cara que quer ser alguém na arte, mas à sombra de seu mestre maior. O resto está imbricado dentro de uma montagem fragmentada, entrecortada. Ivan conhece a neta de Eisenstein. Ele conversa com Eisenstein, é chamado para ser seu assistente de direção e, no fim, ganha até um prêmio de ultra estética da montagem. Tudo isso falado em russo.

Eisenstein também é um curta-metragem satírico, e talvez seja aqui que paira a maior incompreensão em torno dele. Porque o curta trabalha no limiar entre a poesia e a piada. É que Ivan é um personagem em busca da aceitação plena. Ele não tem apenas a dor criadora do artista, mas também a dor pelo reconhecimento. Ele quer fazer arte e ser reconhecido através dela, ser eternizado. Nessa busca, vira pastiche de si mesmo, como assinala um plano paradigmático do filme: o personagem enforcado na palavra arte (escrita em russo, claro).

Sendo um filme homenagem ao primeiro pensador da montagem, não é de estranhar que ela mesma, a edição, esteja também em questão no filme. E sintomaticamente, é apenas a edição digital que é capaz de abarcar o sonho egocêntrico de Ivan. É quando o filme deixa de ser filme dentro de filme; é quando o filme transpassa o diegético e vira sensação apenas; vira algo além da narrativa. É nesse momento que o filme é arte em essência. É o momento em que a arte sufoca Ivan.

Abaixo, veja o trailer de Eisenstein:

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Veja a coabertura completa da Mostra do Filme Livre 2008

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