Capistrano no Quilo, de Firmino Holanda, 21 min, 2007
Quando vale a memória de um povo? É essa a questão que o curta-metragem Capistrano no Quilo levanta ao questionar populares nas praças de Fortaleza sobre um tal Capistrano de Abreu, nome de praça e busto em bronze. Óbvio que ninguém sabe.
Por outro lado, o busto do tal Capistrano de Abreu foi roubado e, parte dele, vendido no peso, a preço de cobre. Depois de recuperado e reinstalado ao ar livre, o filme vai lá mostrá-lo e ouvir de um estudioso, suas palavras sobre o historiador que virou bronze.
Capistrano no Quilo tem algum mérito, que é mostrar o vigor de uma nova produção que começa a despontar no Ceará. Os festivais têm mostrado cada vez mais filmes cearenses, alguns importantes, como o premiado Vida Maria, de Márcio Ramos.
Há também, neste Capistrano no Quilo, um tom anárquico que tem sido difícil de se ver por aí. No entanto, essa mesma anarquia carregada de frescor é o seu problema maior, porque tenta imbuir o filme de uma inocência que ele não possui.
O problema não é perguntar aos passantes quem é Capistrano de Abreu, mas, sim, se fazer de desentendido. É o mal da pergunta retórica, de quem já sabe a resposta e utiliza a ignorância alheia como um impulso para uma argumentação mais elaborada.