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Ipê e outros poemas



Val Becker

Val Becker é gaúcha de Porto Alegre e a poesia sempre fez parte de sua vida. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1992, cursou jornalismo na PUC e mantém o blog Inconsciência Plena. É também cantora e compositora. No momento, trabalha na finalização de seu primeiro CD, Val Becker e Bando!.

Ipê

Os Ipês não deveriam florir no inverno?
Floriram em outra praça.

De joelhos no banco de trás
a criança assiste
cada vez de mais longe
as flores caírem
uma a uma.

Andarilho

Um curioso e esguio olhar de fresta
imagina o certo e o duvidoso
enquanto a batida do pêndulo tempo
aproxima o instante do passado

Os distintos traçados da história
não sustentam vela nem caminho
o percurso do ser como andarilho
beija a boca da noite e inventa o dia

Olhos

olhos
não imensos
profundos
isso
que miras
no entardecer
da alma
espreita
que te afunda
em descoberta

olhos
que dois espaços
de reflexo
e noite
espia
o que do outro lado
as mãos
não tocam

olhos que abraçam,
bocas que calam!


Publicado em 20 de December de 2007


Arquivado em: Versos


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