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Cascadura e Ismar


Por Aristeu Araújo

Publicado em 23 de Novembro de 2007

Plano do curta CascaduraEstá na seleção da 40ª edição do Festival de Brasília (20 a 27 de novembro de 2007) um curta-metragem singular produzido no Rio de Janeiro. Trata-se de Cascadura (foto), de Felipe Cataldo e Godot Quincas. O curta levou o prêmio de melhor filme no júri Ascine, no último festival Curta Cinema.

Fiz parte desse júri. A escolha por Cascadura foi unânime. O filme foi escolhido entre os apresentados na mostra Panorama Carioca, que reuniu filmes fora da mostra competitiva realizados por diretores do Rio de Janeiro. Ao todo foram exibidos 33 filmes em quatro dias de exibição.

Pode-se dizer que a média não foi boa, muito embora tenham sido exibidos alguns trabalhos representativos. Outro curta-metragem que merece destaque e que, não à toa, foi agraciado com honra ao mérito, por esse mesmo júri, é Ismar, de Gustavo Beck.

Ismar é um documentário estranhamente poético, nostálgico. Seu foco é sobre Ismar, um garoto que se apresentou em programas de TV porque sabia tudo-e-mais-um-pouco sobre cinema. Ele marcou presença naquele O Céu É o Limite e no Programa do Jô, quando ainda era às onze e meia no SBT.

O conhecimento enciclopédico de Ismar, então com 12 anos, surpreende. Mas o filme se torna forte, na verdade, quando procura o seu personagem hoje em dia. Ele está em uma pequena festa, ao que parece no seu apartamento. Hoje Ismar é músico, tem barba e carrega uma certa timidez. A confrontação entre o jovem que perde e chora o grande prêmio no programa de TV com a pessoa que se tornou é algo assustadora. É o medo do tempo, do inexorável.

Não, Ismar não trata disso exatamente. Mas é impossível não notar a questão: a morte – na simbologia das cartas do tarô -, ou seja, a morte enquanto transformação. O garoto já não mais existe. Ismar, hoje, é outro. Não apenas fisicamente. E o assustador está na permanência, capturada e armazenada para futuras averiguações em fitas VHS.

Por isso, no fim do curta-metragem, Ismar, aos 12 anos canta. Canta o que já foi.

Cascadura

Cascadura, de Felipe Cataldo e Godot QuincasComo dizia, Cascadura foi selecionado para o Festival de Brasília. Talvez seja o melhor festival a prestigiá-lo, por causa do seu histórico de engajamento político, de promotor de um cinema autoral.

Cascadura é herdeiro do cinema marginal. É um herdeiro tardio, porém. Quem já conhece o trabalho de Godot Quincas, um dos diretores e ator do filme, facilmente entenderá qual é o clima do curta-metragem.

Godot é um ator ícone de um certo cinema independente do Rio de Janeiro. Ele está presente em muitos filmes da recente cinematografia carioca. Seu estilo verborrágico, incisivo e debochado, muito lembra alguns personagens de Rogério Sganzerla, diretor de filmes como O Bandido da Luz Vermelha e A Mulher de Todos.

Aliás, é na obra de Sganzerla que Cascadura se apóia, citando – inclusive – o emblemático “quem tiver de chinelo não sobra”, presente no Bandido.

Cascadura é um filme de guerrilha. Rodado, revelado e montado de forma caseira, o resultado, na tela, é algo pouco usual para os filmes de hoje em dia. Embora seja algo já tratado e abordado no cinema brasileiro, Cascadura tem o grande mérito de fazer esse resgate e, ao mesmo tempo, propor uma alucinação coletiva.

“Alucinação” porque a exibição de Cascadura é uma experiência sensorial. Não tendo um enredo claramente definido, o curta-metragem vai atrás de explorar alguns limites do cinema de fácil paladar.

Mesmo sem grandes novidades, Cascadura é saudável para a cinematografia. Mostra que é possível fazer outro cinema que não esse que está aí, dominante. E, mais ainda, é possível ousar.

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Veja a cobertura completa da Mostra do Filme Livre 2008

Veja a cobertura do Curta Cinema 2007

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2 Commentários sobre 'Cascadura e Ismar'

  1.  

    4 Fevereiro, 2008| 2:06 pm


     

    cascadura esta sendo elevado ao posto de um certo cinema independente,primitivo gonzales eo mentor ideologico disso e gostou da ideia acredito q oq propomos foi fazer um filme como se tivesse sonhando como glauber dizia, como de todos aqueles populares q se encontram no vagão sonhos de vida melhor numa estrada de ferro eum bairro decadente não podemos esquecer qes tnb de guerrilha,guerrilha pra se superar e por estarmos fazendo tudo aquilo clandestinamente se escondendo dos famigerados guardas ferroviários essa elevação se deu muito por causa de otávio terceiro ator bisexto preferido de sganzerla e joão gilberto com a camisa preta com a frase de paulo emilio eo papel escrito barba cabelo e bigode no mais ea fragmentação narrativa do proprio cinema

    ps: helena ignes e bressane tnb gostam de cascadura

  2.  
    godo

    5 Fevereiro, 2008| 5:39 pm


     

    marginal foi o termo q roberto santos deu a todos aqueles filmes q eram com verdade mas não seriam vistos pelo grande publico tnb pelas condições precarias de suas realizações
    ozualdo candeias lança em 67 a margem e ai se inicia o tal ciclo mas não gosto do termo marginal melhor seria de invenção cunhado pelo jairo ferreira pra filmes dessa natureza e preciso bebermos de fontes seguras senão cairemos no lugar comum acho q cascadura tenta essa comunicação e parece q tá “colando” o pssoal fala muito bem da fita

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