Pequenos Tormentos da Vida, Gustavo Spolidoro, 20 min, MiniDV, 2006
Documentários com crianças em sala de aula são algo rotineiro. Bem recentemente, aliás, o canal GNT estava exibindo uma série chamada Os Shakespereanos. O programa mostrava como um professor conseguia envolver alunos do ensino fundamental no estudo do poeta britânico.
O curta-metragem Pequenos Tormentos da Vida, de Gustavo Spolidoro, trata mais ou menos do mesmo assunto. A diferença crucial é que o foco do filme gaúcho é a apreciação da obra do poeta Mário Quintana.
São crianças de uma terceira série que, incentivadas pela professora, mergulham na obra do poeta. E embora o tema sala de aula e o formato escolhido para o curta sejam um tanto recorrente, Pequenos Tormentos da Vida dá prazer em assistir.
A câmera de Spolidoro busca ter a agilidade dos meninos e meninas enfocados. É leve e veloz. Corre pelos corredores e descobre, assim como os alunos, os poemas de Quintana.
O curta-metragem começa com a professora pedindo aos alunos que listem seus pequenos tormentos. Essa será a lógica do trabalho desenvolvido na disciplina, sempre aproximando as crianças do objeto enfocado no poema em questão.
Como, por exemplo, quando ao visitaram a Casa de Cultura Mário Quintana, e viram um vídeo no qual o poeta fala sobre a aceitação que as crianças têm de seus poemas. Quintana acha que as crianças se encantam com suas palavras escalafobéticas. E elas gostam tanto que “escalafobético” vira pauta de trabalhos e piadas com os colegas.
Pequenos Tormentos da Vida é um exemplo de como fazer as crianças se interessarem e se apaixonarem pela leitura. Tá faltando mais disso nas nossas escolas.